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Feliz ano novo!

Monday December 31, 2007

Passei o ano novo na casa do irmão de uma amiga do Lucas, em Kings Cross. O prédio era relativamente alto (12 andares), então na virada subimos todos para o terraço para assistir aos fogos na Sydney Bridge. Foi bem bonito, com fogos saindo de prédios, da água e da ponte.

Logo após a meia-noite, a primeira coisa que me aconteceu foi um calafrio nas costelas – era uma barata descendo pelo meu decote (felizmente o álcool evitou que eu tivesse um ataque). Tenho certeza de que em alguma cultura longínqua isso significa boa sorte (ou não).

Feliz ano novo!

 

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Coisa de país rico

Wednesday December 19, 2007

(mãe, não leia esse post)

Outro dia estava deitada na cama assistindo a um filme americano com o Gael García Bernal no papel principal (The king). As luzes estavam apagadas.

E eis que, no ápice de uma cena tensa do filme, vejo um pequeno vulto no chão do quarto, logo em frente à porta. Era a silhueta perfeita de um roedor.

Demorou uns dois segundos para eu processar aquela imagem. Parece pouco, mas quando sua cabeça demora dois segundos para dar nomes aos bois que seus olhos estão vendo, é tempo para caramba.

Aí, do nada, tão de repente quanto surgiu, o vulto desapareceu. Eu estava me achando louca por estar vendo coisas (magina! um rato dentro de casa), mas o contorno da sombra era a forma perfeita desses monstrinhos urbanos.

Levantei, acendi a luz e averiguei o quarto. Nada. Vi que o vão debaixo da porta é bem grande, então saí e olhei pelo corredor. Nada. Achei que tinha imaginado coisas, e voltei a assistir o filme.

Na hora de dormir, um pouco de receio. Mas a ausência de barulhos me acalmou e me convenceu de que eu havia me enganado.

No dia seguinte, adivinha. Fico sabendo que o Lucas viu um rato subindo as escadas da casa. Era o próprio.

Daí que ninguém viu o rato de novo. Não é bizarro? Tudo bem que o rato era pequeno, mas não a ponto de poder desaparecer.

Isso me lembrou de uma vez em Nova York. Eu passeava os cachorros do filho da minha rommate e, não raro, passava um tempo na casa dele, enquanto ele não estava lá, para brincar com os pimpolhos.

Um belo dia, sentada no sofá assistindo tevê, vejo, de relance, uma carinha bigoduda de olhos esbugalhados me olhando, por detrás do prato de comida dos cachorros. Olhei de novo e a carinha tinha sumido. “To ficando louca”, pensei.

Alguns minutos depois, vejo uma movimentação estranha no mesmo lugar e, claro, lá estava ele, saltitando feliz, enquanto eu surtava. Subi no sofá e só saí de lá para ir embora. “Pelo menos era um camundongozinho (diferente das ratazanas nova-iorquinas)”, resmunguei comigo mesma.

Magina. Vivi 23 anos no Brasil e nunca vi um rato dentro de casa (de nenhuma casa). Mas basta uns poucos meses num país rico para me aparecerem os benditos. Precário, fala aí.

 

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Educação

Thursday December 13, 2007

As pessoas vociferam contra a ignorância dos americanos em relação a outras culturas, mas os australianos não ficam para trás. Outro dia ouvi (de alguém que fez faculdade): “mas o Brasil fica na América do Sul?”. É.

 

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Porcaria

Saturday December 8, 2007

Tem dias que a gente tira para comer besteira. Hoje almocei meat pie, que parece uma empada recheada com molho de carne, e sausage roll, um rolinho de massa podre recheado com uma misteriosa pasta com cheiro de salsicha. E jantei batata frita tipo Ruffles e uma barra de 170g de Kit Kat (o melhor chocolate de todos).

Já estou inchada porque estou naqueles dias, então imagina a situação da pança agora.

Mas eu acho até bom, porque estive passando por uma fase de falta de apetite que é um saco. Consigo passar dias a fio sem comer nada, mas não tem jeito: para ter disposição precisa comer bem.

 

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Minha hora está chegando

Saturday December 8, 2007

Hoje cutuquei meu dente do fundo e senti um outro dente saindo da gengiva. Acho que logo precisarei tirar o siso – coisa que eu achei que acontecesse com todo mundo, menos comigo.

 

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Undergound

Sunday December 2, 2007

Tenho pastado com os lugares para sair à noite em Sydney. Aqui os lugares são ou meio ogro (sports bar, pubs), sem personalidade alguma (daqueles que tem hordas bebendo chope às 2 da tarde), ou “trendy”, da moda (você PRECISA seguir o dress code, que é basicamente um vestido curto e salto agulha – aliás, esse é outro ponto do capítulo “coisas bizarras de Sydney”).

Se você procurar por uma balada tida como “alternativa” aqui, corre o sério risco de acabar num bar que toca cover de Iron Maiden. Algo como pedir Funhouse e levar Led Slay, numa analogia paulistana.

Quero muito encontrar um lugar sujo e obscuro, com música nova e diferente e que aceite um jeans e tênis. Pode ser um bar de jazz, de indie rock, de música tribal aborígene. Se alguém tiver alguma pista, me avise.

 

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Para não perder o costume

Saturday December 1, 2007

Hoje jantei no restaurante brasileiro em Petersham, o Casa Brasil.

Pedi uma moqueca, que estava uma delícia. O prato era colossal, mas como meu estômago dobra de tamanho quando como comida brasileira, deixei apenas um restinho do arroz. Impressionei até o garçom.

De sobremesa, um pudim de leite bem furadinho, muito bom, e um double espresso (café expresso duplo), que veio na medida brasileira – ou seja, o duplo era tipo um bule de café.

Ao final, estava tão farta que me bateu aquela tristeza típica de coma pós-refeição (vim rolando para casa – ainda bem que era descida – porque as pernas, cansadas, mal sustentavam o peso).

 

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Filmes

Saturday December 1, 2007

Semana passada asssiti a Eat, drink, man, woman, do Ang Lee. Conta sobre um chef que tem uma relação meio conflituosa com suas filhas. Achei maravilhoso. Ele mostra tão bem algumas sutilezas dos nossos sentimentos e como a razão nem sempre evita que a gente fique magoado e frustrado, mesmo quando sabemos que não estamos certos. E ainda fala sobre comida. Muito recomendado.

Assisti também a Lucia e o Sexo. Não sei porque escolheram esse nome, porque não tem nada a ver com o filme, mas tudo bem. É meio chavão daqueles escritores que acabam se envolvendo demais com suas próprias histórias, a ponto de influenciar a vida real. Mas achei bem bonito. Vale assistir.

Também vi Bombón (el perro), do argentino Carlos Sorín. O filme consegue passar aquela sensação de pena ante a decadência, que eu acho fantástico, assim como no Histórias mínimas, outro filme dele. Um senhor desempregado faz um favor e ganha um cão de raça em troca. Engraçado ver as coisas acontecendo, mesmo quando você não faz nada. Maravilhoso. Dá uma pena sem fim do velho (ótima atuação), mas vale muito a pena ver. Linda fotografia.

Ontem vi Pão e tulipas. Uma dona-de-casa frustrada em férias é esquecida pela sua família numa parada na estrada. A partir daí, ela vai ganhando mais e mais independência e acaba chutando o balde: vai para Veneza, cidade em que nunca esteve, arranja um emprego e fica por lá durante um tempo, mesmo sob críticas de seu marido. Claro que acaba se envolvendo com outro homem – ótimo personagem, aliás. Comédia romântica, mas muito bom.

 

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Livros

Saturday December 1, 2007

Terminei de ler Miss Chopsticks, da Xinran. Adorei, quase chorei no final. Eu acho encantadora essa transição da China. Só fiquei desapontada porque, segunda ela conta no prefácio e posfácio, a história não é exatamente do jeito que ela contou. Sempre achei que os relatos dela fossem fiéis à realidade, mas vi que não é exatamente assim. O problema é que isso transforma uma história maravilhosa (se fosse real) em um conto de fadas brega. Mas, enfim, não tira o mérito das personagens e suas histórias. Gostei bastante.

Também terminei de ler Music for Chameleons, do Truman Capote. Adorei adorei adorei. Destaque para as conversas com assassinos, tema muito explorado pelo autor. Capote tem essa aura de “alta sociedade nova-iorquina” que me fascina. Além de ótimas histórias, Capote tem um estilo adorável.

Queria comprar outros livros, mas desisti, já que livro aqui é o olho da cara. Aí descobri que tem várias bibliotecas grandes na cidade. Fui na biblioteca de Circular Quay e comecei a ler Todos os homens do presidente, do Bob Woodward e Carl Bernstein (que deveria ter lido na faculdade). Ainda estou no começo, mas estou adorando.

 

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