Monday November 26, 2007
Quem já esteve em situações em que tinha de se comunicar alternando a língua materna e uma outra sabe como é difícil a tarefa. Parece que existe uma chavinha na nossa cabeça, que precisa ser mudada cada vez que vamos trocar de língua. Uma vez selecionado um dos idiomas, você meio que entra no automático (quando você é fluente em ambas as línguas) – o que leva, por exemplo, a você começar a falar em inglês com um brasileiro, ou português com um estrangeiro.
Depois de um tempo fora do Brasil, em lugares em que você tem que falar inglês o tempo todo, tenho deixado a chavinha no modo “inglês”. Só mudo para escrever, mas nunca para falar, já que não conheço nenhum brasileiro por estas bandas. Tenho uns lapsos quando reajo espontaneamente, de falar “nossa!” ou “vixe, olha isso!” para um australiano, mas é raro.
Agora, o ruim é que ultimamente andei percebendo que tenho uma chavinha não só para a falar ou escrever, mas também para pensar. Às vezes me pego pensando em inglês. É uma bosta, porque apesar de eu falar inglês fluentemente, estou num nível de comunicação meramente. Não consigo, por exemplo, fazer filosofia em inglês.
Acredito que cada língua carrega conhecimentos dentro de si (além do conhecimento que você impinge a ela), e me faz um pouco frustrada não poder me expressar na minha língua materna. Não é raro me faltarem palavras para dizer algo em inglês. Não por falta de vocabulário, mas por não ter vivência e intimidade com o idioma. Não tenho autoridade alguma para fazer poesia, ambigüidades ou neologismos em inglês.
E é frustrante estar pensando em inglês também. Acho que o pensamento acaba de adaptando às experiências atuais, independente do que ele já sabe.
Tuesday November 20, 2007

Brasileiro é todo orgulhoso das suas praias, mas dá uma olhada nessa aqui. Praia de cidade ainda por cima. Cariocas que me perdoem, mas isso é muito mais bonito que Ipanema. Bondi Beach, Sydney


Vida selvagem. Gymea, Sydney
Monday November 19, 2007
Atrizes que eu só descobri que eram australianas quando vim para cá: Cate Blanchett, Toni Collette.
Bandas que eu só descobri que eram australianas quando vim para cá: Crowded House, AC/DC, The Jets.
Monday November 19, 2007
Como falei, tenho me deliciado com os títulos da locadora perto de casa.
A maioria dos filmes que eu quero ver (aqueles sobre os quais seus amigos intelectuais sempre comentaram, mas que você perdeu a época de exibição no Espaço Unibanco e nunca encontrou na locadora) estão na seção de estrangeiros. Acho incrível a seleção de filmes, eles têm até Ônibus 174 (bem que podiam lançar Tropa de elite, queria tanto ver). Tem também a seção art cult, que é parecida com a de estrangeiros, mas em inglês.
Semana passada peguei: Bamboozled (Spike Lee), Fale com ela (Almodóvar), Before night falls (Julian Schnabel) e Was nützt die Liebe in Gedanken / Love in thoughts (Achim von Borries).
Já assisti Bamboozled, Fale com ela e Love in thoughts. Gostei muito dos três.
Escreveria uma resenha de cada um se não estivesse com tanta preguiça.
Friday November 16, 2007
Tenho tido arroubos de gula por comidas brasileiras (que novidade). Passo horas no Google pesquisando receitas e procurando traduções para os ingredientes.
Aí que hoje fiquei chocada com uma descoberta: a picanha é um corte de carne brasileiro. Ok, meio que eu já sabia, mas sempre imaginei que poderia encontrar uma picainha perdida em algum açougue por aí (isso desde NY), quando não estivesse no Brasil.
Pois é. Mas hoje descobri que a picanha é um corte que não é feito em nenhum outro lugar, exceto o Brasil. Ou seja, a parte que seria da picanha é dividida em outros cortes.
Achei um horror, magina. Picanha é a melhor carne.
Estava decidida a mostrar para esses aussies o que é churrasco de verdade. Aqui eles jogam umas salsichas, espetinhos marinados e bifes magros na grelha e é isso. Nada de sal grosso, nada de capa de gordura.
Mas sem picanha não sei se me garanto.
Sunday November 11, 2007
Foto tirada umas semanas atrás. Eu e Lucas forrando o estômago à 1h da madrugada num restaurante indiano. Talher para quê?

Saturday November 10, 2007
Falando em livros. Meu amigo de casa-escola-trabalho Iberê escreveu um post no blog dele oferecendo alguns de seus livros e convidando os leitores a passar seus respectivos livros à frente.
A idéia é que um livro, já lido, numa prateleira não serve para nada. Você gastou uma fortuna numa coisa que só você aproveitou e que provavelmente não vai aproveitar de novo (e se for, vai demorar uns bons anos). Então porque não passá-lo para frente?
Claro, essa é uma idéia altamente altruísta, mas você não precisa doar seus livros para estranhos, você pode dá-los aos seus amigos. A idéia de doar, ao invés de emprestar, é particularmente interessante, pois você incentiva que aquela obra seja usada de novo e de novo por outras pessoas e aquele pedaço de cultura tende a se espalhar. Algo como o que acontece com as boas ações no filme A corrente do bem (ok, comentário brega).
Aderi à idéia quando, em NY, encontrei, em diversas ocasiões, pilhas de livros nas escadas de prédios, deixadas por algum leitor ávido que provavelmente não tinha espaço para guardar livros usados em casa.
Lembro também quando um amigo meu de lá, ao saber que eu ainda não tinha lido Medo e delírio em las Vegas, do Hunter Thompson, me deu sua cópia do livro. Fiquei toda “nossa! mas magina, brigada, brigada!”, enquanto que ele provavelmente não achava que estava fazendo grande favor. No Brasil, o normal e educado seria se oferecer para emprestar, mas nunca simplesmente dar o livro, “tó, leva”.
Também é comum em albergues (hostels) ao redor do mundo haver uma biblioteca constantemente atualizada por títulos trazidos pelos viajantes. Todo bom mochileiro carrega alguns livros consigo e, no meio da sua viagem de 10 meses, os deixa em algum albergue em troca de novas obras para a próxima parte da jornada.
Acho que parte desse apreço sentimental-materialista vem do fato dos livros no Brasil serem muito caros. Livros conhecidos nunca são mais baratos que 30, 40 reais. Além do mais, os livros são tratados como mercadorias, não só pelo seu valor cultural, mas também pela “embalagem”. Capas grossas super elegantes, com relevo, verniz, tratamento fosco, papel couché no miolo, livro brasileiro pesa uns 10 quilos.
Não posso dizer como é em outros países, mas pelo menos nos EUA e na Austrália, a maioria dos livros é feito com aquele papel vagabundo de livro de banca de jornal, que é levinho e meio amarelo. Dá para ler deitada de costas (suspendendo o livro com uma mão) sem dar cãibra e dá para levar na bolsa sem dar problema no ombro – e ainda barateia o produto (sem falar que é mais ecológico). Prefiro mil vezes. Claro que isso é uma afronta à classe dos editores, cujo trabalho melhor se faz ver por esses frufrus, mas isso é outra história.
Saturday November 10, 2007
Tenho passado por um primavera cultural desde que pedi demissão. Os benefícios do ócio.
Tem um pilha de livros aqui em casa, mas todos daqueles de autores best-sellers que de repente resolvem escrever 10 livros em um par de anos ou daqueles tipo Senhor dos anéis. Aí resolvi comprar alguns.
Bem, desanimei assim que vi os preços. Cada livro não menos que 25 dólares australianos (quase 40 reais). Não sei se era a livraria, ou se aqui é caro mesmo como no Brasil. Provavelmente, porque até hoje, mesmo tendo andado todo o centro da cidade, só vi duas livrarias grandes (vários sebos pequenos, no entanto). Não me parece que leitura seja uma coisa super popular aqui. Aliás, é raríssimo encontrar alguém lendo um livro nos parques ou no trem, achei muito estranho.
De qualquer forma, comprei dois: Miss Chopsticks, da Xinran, e Music for Chameleons, do Truman Capote. Tinham que ser jornalísticos (tenho passado por uma fase de total desinteresse por ficções).
Eu não sei se Miss Chopsticks foi lançado no Brasil, mas Xinran é autora de um outro livro que foi, As boas mulheres da China. Miss Chopstick conta a história real de três garotas do interior que, ante a abertura política e econômica chinesa, se mudam para a grande Nanquim em busca de trabalho.
As histórias foram coletadas da mesma forma que as relatadas no seu outro livro – através de entrevistas que fazia para o seu programa de rádio na China sobre mulheres. A leitura flui e impressiona pela riqueza dos relatos sobre as experiências pessoais e as perspectivas históricas. E, óbvio, interessantíssimo pela própria história chinesa pós-Mao. Me espanta como a China do interior pode ser tão atrasada em certos aspectos.
O do Capote eu ainda nem toquei. Falo depois.
Saturday November 10, 2007
Aproveitando o assunto, deixa eu comentar outros filmes que assisti recentemente e gostei muito.
Sweet sixteen (Ken Loach)
Conta a história de um adolescente escocês do tipo perdido na vida que espera ansiosamente a libertação de sua mãe da cadeia. O garoto, todo errado, faz de tudo para agradar à mãe, que é uma imprestável ela mesma. Belo retrato da família disfuncional.
Little Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris)
Família viaja em perua para levar a filha pequena a um concurso mirim de miss. A história em si não é grande coisa, mas as tiradas no meio dela são simplesmente sensacionais. Um filme que te faz rir. Adorei adorei adorei.
Superbad (Greg Mottola)
História típica americana. Dois garotos losers tentam salvar a reputação antes de terminar o colégio e ir para a faculdade. Historinha boba, mas o filme é hilário, daqueles que te faz rir alto. Ótima atuação dos jovens atores.
Reign over me (Mike Binder)
Um cara que perdeu toda a família no 11 de setembro se reencontra com um antigo colega de faculdade por acaso. Sou suspeita para falar, já que o elenco tem Adam Sandler e Don Cheadle, dois atores que eu adoro, e a história se passa em Nova York. Drama deprê com um pouco de comédia.