Wednesday October 31, 2007
E já percebi que aqui não haveria de ser diferente de São Paulo. Mariposas, mosquitinhos, pernilongos e toda sorte de insetos que resolvem se procriar ao menor sinal de calor.
Eu, que sou capaz de passar por uma parede sem porta ao me encontrar num mesmo cômodo que uma barata, já encontrei três dentro de casa nas últimas semanas.
Hoje, inclusive, achei uma no banheiro, de tamanho regular, mas de um pretume impressionante – perfeito oposto de uma barata branca que vi um dia no quintal de casa em SP. Não fosse minha extrema perícia com animais domésticos, acharia que era um besouro.
A diferença é que aqui fica chato dar piti na frente dos roommates e acabo sendo obrigada a fazer o serviço sujo (empacotar e despachar o presunto). Um bom tratamento de choque.
A Austrália também tem um problema sério com moscas (preta e grande). Outro dia fui dar uma volta agradável pelo porto de Sydney, com a espetacular Opera House ao fundo, mas tive que fazê-lo sem abrir a boca e obstruindo demais orifícios faciais, pois era uma verdadeira saraivada de moscas na minha cara. Eu olhava os business men locais comendo a quentinha e pensava: “mas como eles conseguem?”.
Saturday October 27, 2007
Nunca tinha notado a poesia no nome desse tempo verbal.
Saturday October 27, 2007
Coisas bizarras que eu não entendo como podem acontecer:
He spent 10 hours frustrated by airport bureaucracy. Just 24 seconds later, police shot him with tasers
Em português: ele passou 10 horas frustrado com a burocracia do aeroporto. 24 segundos depois, foi atingido por uma arma de choque elétrico da polícia.
Um polonês de 40 anos viajou para o Canadá para juntar-se à sua mãe, 61, com quem iria morar definitivamente. Desembarcou, passou pela imigração, passou pela segunda imigração (devido ao seu status de imigrante) e foi para o salão de recolhimento de bagagem.
Ele havia combinado de se encontrar com sua mãe lá. O que eles não sabiam, no entanto, é que a esteira de bagagem fica numa área fechada do aeroporto.
Ele não falava inglês e, apesar de ter procurado ajuda para encontrar sua mãe, ninguém o ajudou.
Sua mãe, na parte de fora, pediu ajuda a funcionários para que achassem seu filho do lado de dentro e disessem que ela estava esperando, avisando que ele não falava inglês.
O bizarro disso: o pobre homem esperou durante 10 horas e ninguém o ajudou. Tampouco se preocuparam em dar o recado da mãe.
O mais bizarro: depois das 10 horas de espera, a polícia chegou e o abateu com uma arma de choque.
A mãe, vencida, voltou para casa, quando, então, encontrou uma mensagem na caixa postal dizendo que haviam encontrado seu filho. Ela retornou a ligação e ainda disse para que cuidassem dele, pois ele não falava inglês. Mas ele já havia sido morto.
Friday October 26, 2007
Hoje almocei no Casa Brasil (rua Audley, 98), um restaurante de comida brasileira (dã) em Petersham, onde também fica a área de restaurantes portugueses de Sydney (por algum motivo há uma comunidade portuguesa bastante expressiva na Austrália; há inclusive, uma rede de fast food de hamburguer e tal chamada O Porto e que é muito popular – dizem que o frango é à moda portuguesa, seja lá o que isso significa).
Comi um PF. Arroz, bife, ovo e salada (com palmito!), acompanhada de uma tigelinha de feijão preto e um copo de guarná. Sem entrar no mérito da minha preferência pelo feijão marrom (carioquinha ou rosinha), me esbaldei. Obviamente, quase entrei em coma.
De sobremesa, devorei um brigadeiro com cafezinho. Bem, nao que alguém, em alguma parte do Brasil, coma brigadeiro depois do almoço, mas valeu.
Eu, que vinha sofrendo de uma súbita sensação de satisfação durante minhas refeições (digo, vinha perdendo a fome muito rápido), limpei o prato, que não era modesto.
A dieta australiana é muito pobre em carboidratos e isso faz muita falta para mim, que sou tarada por massas (pão, macarrão e, principalmente, arroz). Quando cozinhamos coletivamente aqui em casa (em Sydney), tenho de fazer campanha pelo arroz, porque se ninguém fala nada, a gente come só a mistura.
Thursday October 18, 2007
Alem do trem, outra coisa terrivel de Sydney sao os hospitais.
Bem, nao conheco nenhum pessoalmente, mas tenho acompanhado pelos jornais a crise pela qual tem passado os hospitais – falta de verba, superlotacao, paciente internado na sala de descanso das enfermeiras, gravidas abortando no banheiro do pronto-socorro, pacientes morrendo depois que tiveram resultados de raio-x negligenciados, enfim, coisas bizarras que eu achava que so aconteciam no Brasil.
Como falei, nao fui conferir pessoalmente a situacao, entao nao sei bem o que os australianos consideram como crise. Mas, como o trem, eh uma coisa que nao da para entender. Um pais tao rico, e uma cidade tao limpinha e ajeitadinha como Sydney ter problemas desse tipo no sistema publico de saude (que eh acessivel a muito mais pessoas que no Brasil).
Thursday October 18, 2007
Outro dia estava lendo jornal quando me deparei com uma materia que julguei muito estranha: vantagens da educacao mista.
Isso mesmo. A materia trazia a questao das escolas que misturam meninos e meninas, num tom meio “educacao mista pode ser benefico para as criancas”.
Para mim, escolas so para um determinado genero soa como algo pertencente a um periodo remoto e nebuloso das instituicoes de ensino do nosso pais. Uma coisa, assim, impensavel nos dias de hoje.
Qual a minha surpresa ao descobrir que aqui na Australia grande parte das escolas adota o sistema de separacao de sexos. Nao saberia dizer a proporcao, mas sei que fica pau a pau em relacao ao sistema misto. E isso acontece, inclusive, em escolas publicas.
Claro, eu achei um absurdo e a ideia de segregar homens e mulheres, pior, meninos e meninas, soa para mim algo totalmente fora da realidade e nao saudavel para o desenvolvimento pessoal e social da crianca.
Obviamente existem diversos estudos que apontam o melhor desenvolvimento intelectual da crianca em ambiente segregado, porque meninos e meninas se desenvolvem em idades diferentes e, muitas vezes, se sentem mais a vontade numa classe so com pessoas do mesmo sexo, e bla bla bla.
Eu teria de ler mais a respeito para realmente ter uma opiniao, mas me chocou deveras o fato de haver essa segregacao num pais tao auto-declarado liberal.
Alias, as escolas australianas exigem o uso de uniforme (como no Brasil), mas aqui os garotos usam terno e gravata, e as garotas, vestido ou saia pregada.
Parece outro mundo e nao tem nada a ver com a Australia la fora.
Tuesday October 16, 2007
Eu e o Lucas fomos ao Sydney Tower no final de semana. Eh uma torre bem alta e la de cima da para ver Sydney toda, muito bonito.


Darling Harbour e o entardecer
Friday October 12, 2007
Pais ingleses queimam livros infantis sem final feliz
Acabei de ler essa noticia no Folha Online e lembrei de um desenho animado que passava na TV Cultura quando eu era crianca: Os animais do bosque dos Vintens (acho que era esse o nome).
Era um desenho dividido em capitulos e que contava a historia de um grupo de animais que precisava migrar para um outro lugar (provavelmente tinha uma critica ecologica implicita nisso).
So que nao era um desenho bonitinho e engracadinho. Era uma verdadeira tragedia. Eu, mal saida das fraldas, chorei em varias ocasioes.
A que mais me marcou foi quando os animais tinham de atravessar uma rodovia. Todos atravessaram a temivel estrada, mas quando chegou a hora do casal de ouricos, a femea surtou no meio do caminho e nao conseguiu continuar ate o outro lado. O macho, marido da ourica, nao conseguiu leva-la e preferiu permanecer ao seu lado, quando, entao, um caminhao veio e os atropelou cruelmente, na frente de todos os outros animais. Eles morreram, claro.
Os animais tinham qualidades humanas, mas tambem mantinham seus instintos naturais. No meio de um crise de falta de comida, a aguia comeu vorazmente os filhos do casal de ratinhos – quao terrivel eh isso?
Enfim, era um desenho notavel.
Thursday October 11, 2007
Ja mencionei uma vez aqui os trens de Sydney. Sydney eh uma cidade ajeitada, com tudo bonitinho e limpinho, mas com trens abominaveis.
Nao me refiro tanto as condicoes fisicas dos trens e estacoes (que tambem nao eh la aquelas coisas), mas ao sistema ferroviario – parece que uma crianca de 5 anos projetou.
Muitas das linhas tem trajetos coincidentes – tem um trecho de varias estacoes que eh cortado por umas 5 linhas diferentes. Nada inteligente.
O desenho das linhas tambem eh bizarro, parece que foi feito aleatoriamente.
Outro problema sao as tarifas. Voce precisa comprar o bilhete unitario (ou ida e volta) no mesmo dia que vai usar. As tarifas sao escalonadas dependendo do lugar que voce vai, como em Londres, so que as maquinas de venda de bilhete nao operam por zona – existe uma lista enorme de estacoes no visor da maquina, o que faz com que a frente do equipamente tenha tipo 2 metros quadrados.
O tempo entre trens tambem eh um horror – entre 10 minutos nos horarios de pico ate meia hora.
Enfim, eh uma coisa horrorosa e atrasada. Destoa total do resto da cidade.
Tuesday October 9, 2007
1. Tempo maluco em Sydney. Achei que o verao tinha chegado, mas hoje ta um frio muito chato.
2. Estou sem internet em casa. Agora estou num cibercafe, numa sala com um monte de pessoas estranhas e com cheiro ruim no sovaco (das outras pessoas, nao no meu).
3. Fui no Aquario de Sydney no final de semana. Vi tubarao, foca e Nemo.
4. Estou chocada. Descobri a tecnica de lavar louca que meus rommates usam. Nao eh novidade, provavelmente eh a mesma usada na Europa: uma piscininha de agua com sabao na pia e so. Eles lavam a louca naquela agua suja e NAO ENXAGUAM. Quao bizarro eh isso? Uma das maiores diferencas culturais, sem duvida, eh a relacao que cada povo tem com a agua.