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Wednesday May 23, 2007

Eu na ala feminina durante a cerimônia de casamento no templo. Nem dá para perceber que eu sou estrangeira, fala aí. Mas juro que eu pareço mais morena pessoalmente.

Me in the female section during the marriage cerimony at the temple. You can’t tell I’m a foreigner, eh? But I swear I look more tanned in person.

 

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Retorno

Saturday May 12, 2007

Depois de quase 50 dias de viagem, me preparo para voltar para casa hoje. Como sempre, saudadezinha de casa.

Tanta coisa para retomar e concluir quando voltar. A principal, sem duvidas, eh o TCC. Me da frio na barriga pensar que FINALMENTE irei me formar. Nao eh louco? As vezes sinto que sou ecana (quem estuda na ECA-USP) desde (e para) sempre.

Depois tambem tenho que planejar meu futuro profissional. Apesar de nao ter pedido demissao antes de viajar, essas “ferias” serviram para finalizar um ciclo, de alguma forma.

Estou feliz, mudancas sao sempre bem-vindas.

Ate!

 

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Dos nomes

Friday May 11, 2007

Texto fantástico sobre o registro de certidões de nascimento num cartório do Rio:

‘Paula’, enfim um nome diferente

 

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Hinduísmo

Friday May 11, 2007

Muito pouco se fala sobre o hinduísmo, uma das religiões com o maior número de seguidores do mundo. Mas, estando na Índia, acabei aprendendo um pouco (bem pouquinho) sobre o assunto, o que já foi suficiente para me surpreender – principalmente pela riqueza da história de suas deidades.

A minha preferida é do deus Ganesh, aquele que tem cabeça de elefante. Já li muitas versões diferentes para a sua história, mas a que eu mais gosto é a que conta que Ganesh teve sua cabeça decepada pelo próprio pai, que o “flagrou” com sua esposa. Shiva havia passado tempos longe de casa e, quando retornou, não reconheceu o próprio filho, que protegia a mãe Parvati enquanto ela tomava banho. Shiva então decapitou o coitado. Parvati, furiosa, ordenou que lhe devolvesse vida, mas a cabeça havia sido arremessada tão forte que acabou perdida para sempre. Foi aí que resolveram enfiar uma cabeça de elefante no pobre Ganesh.

Além das extraordinárias histórias envolvendo seus deuses (tem gente que baba pela mitologia grega e ignora totalmente as deidades hindus, que na minha opinião não deixam nada a desejar), o hinduísmo se destaca por ser origem de outras religiões como o budismo, o sikhismo e o jainismo (cujos seguidores não matam nem pernilongo). Também está relacionado com o tantra, a ayurveda e o yoga.

Todas essas religiões e práticas tem em comum o fato de pregarem o desapego às coisas materiais e a não-violência. Acho que só estando na Índia para perceber como esses princípios ainda se aplicam (ainda que não plenamente) na sociedade.

Acho que uma das coisas que mais me impressiona em relação à Índia é essa integridade e fidelidade com a religião. A vida toda de um indiano é regida pelos princípios do hinduísmo (no Brasil, ir à missa todo domingo já é considerado fanatismo religioso).

Bem, não que eu concorde com o hinduísmo ou ache que as pessoas devam ser tão fiéis aos seus credos. Mas é realmente notável a pureza do hinduísmo, se comparado com o catolicismo e outras religiões. É autenticamente um estilo de vida.

 

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Brasil Brasil

Thursday May 10, 2007

Se eu sou a primeira a criticar o Brasil (corrupção, pobreza, violência), também sou a primeira a reconhecer as maravilhas do País. E uma delas é sem dúvida a tolerância. Tolerância religiosa e racial.

Nunca defendi que o Brasil vive uma democracia racial, muito pelo contrário. Mas essa mestiçagem que acontece aqui é fenônemo raro em outros lugares. É sempre tarefa difícil explicar a um gringo qual é o fenótipo típico brasileiro. É negro, branco, amarelo. É negro com branco, branco com amarelo, amarelo com negro. É uma coisa outra, que não vejo em nenhum outro país.

Religião no Brasil também me encanta. Vejo notícias de outras partes do mundo, e existe essa triste intolerância entre religiões. No Brasil, é totalmente impensável haver qualquer confronto violento por motivos religiosos. Até o catolicismo aqui é diferente. Enquanto que na maior parte do mundo existe esse senso quase comum de que a Igreja se aproveita e/ou ignora os pobres, por essas bandas existe a Teologia da Libertação. Não vou defender a Igreja, mas esse é o tipo de relativização que me fica muito evidente quando discuto com pessoas de outros países.

Enfim. Como disse anteriormente, tem coisa que a gente só percebe e valoriza quando está longe.

 

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À indiana

Thursday May 10, 2007


Indianas curtindo uma praia em Mamallapuram, Tamil Nadu, Índia

A gente acha nossas praias muito liberais. Radical mesmo é entrar no mar de roupa, queria só ver quem tem coragem.

 

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Vencida

Thursday May 10, 2007

Ok, tenho de dar o braço a torcer. Londres é ESTONTEANTE.

Ontem fui dar uma volta com o inglês Dave pela área do Big Ben. De novo, só que dessa vez à noite, com todas as luzes acessas. Nossa. O lugar é simplesmente MARAVILHOSO.

Não conheço outras grandes capitais de “primeiro mundo”, além de NY, mas tenho certeza de que Londres é uma das mais bonitas, deixando NY a quilômetros de distância atrás.

Vi que a rainha está no palácio. Acho que vou voltar lá hoje à noite para tomar um chá. E tirar umas fotos.

 

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Enclausurada

Wednesday May 9, 2007

Hoje passei o dia todo no laptop, na salinha dos nerds do albergue. É uma sala cheia de mesas, onde os anti-sociais se reúnem em seus respectivos computadores, enquanto Londres acontece lá fora.

À tarde saí para uma caminhada às margens do Tâmisa, mas começou a chover e eu, velha, resolvi voltar para o albergue. Pelo menos vi o Big Ben. É bem bonito e grande.

Agora à noite vou passear com um inglês que conheci em Goa. Talvez ele me mostre os lugares legais e eu enfim passe a gostar dessa cidade.

 

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Com as galinhas

Wednesday May 9, 2007

Gente, alguém me explica porque os bares e pubs em Londres fecham às 23h? Que tipo de gente começa a beber tão cedo?

 

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Código e cultura

Wednesday May 9, 2007

Tem coisa que a gente só percebe quando se põe a uma distância mínima. Ao viajar, por conseqüência, isso se torna plenamente possível, e o resultado é uma nova relação com as coisas brasileiras.

1) Comida

Gringos sempre me perguntam qual a comida brasileira, e eu nunca sei responder. Definir a comida típica de um país é sempre tarefa perversa. De qualquer forma, a comida brasileira é a causa número 1 para querer voltar para casa (sem contar família e amigos, óbvio). A gente não valoriza as coisas boas que comemos no Brasil como sendo “comida brasileira”, mas quando viajo para o exterior, onde está o arroz, o feijão, o bife frito, o x-salada, o pão de queijo, o churrasco, a farofa, o pão francês com lingüiça, as verduras refogadas no alho, o pastel, o requeijão, o sanduíche de mortadela ou presento e queijo, o pão na chapa, o café coado forte e doce? Isso tudo só existe aqui e é o que eu chamo hoje de comida brasileira.

2) Língua

Quando jovem, nunca tive nenhum apreço especial pela língua Portuguesa. Encantada pelo inglês e, mais tarde, pelo espanhol, achava-a um idioma feio. Hoje, depois de conhecer mais a fundo a língua inglesa e seus usos, entendo como o Português é maravilhoso. Lindo, complexo, poético. Viajando tive a oportunidade de verificar a estranha reação que nosso idioma falado causa em estrangeiros. A simples resposta a “de que cidade você vem?” já causa espantos: a nossa pronúncia de “São Paulo” traz fonemas impronunciáveis por falantes de outras línguas.

3) Flerte

Bem, esse quesito é controverso, pois varia muito de pessoa para pessoa, mais que de cultura para cultura. Mas, adotando, enfim, uma generalização, podemos delinear diferenças de cunho cultural nesse aspecto (estou soando muito formal?).

No Brasil, quando um homem se aproxima de uma mulher, sabemos em no máximo 10 minutos o que vai acontecer depois da abordagem. Ou o cara leva um fora, ou recebe um beijo. No flerte brasileiro, as intenções são basicamente as piores. Não quero soar moralista, mas as pessoas nunca são vistas na sua totalidade e complexidade durante o flerte. Se a primeira conversa se prolonga demais, o cara é considerado devagar. O fator lascivo está sempre escancarado.

Depois de breve período nos EUA e Argentina, pude deduzir o mesmo comportamento nas culturas latino-americanas. Isso envolve não só o momento do flerte, mas como as pessoas se comportam em público quando estão em casais. No Brasil e na América Latina em geral, casais se beijam e abraçam em público, sem constrangimentos. Ter “faturado” é algo positivo e que deve ser mostrado.

Em outras culturas, ocidentais de primeiro mundo, digamos assim, a coisa muda de figura. O homem nunca chega na mulher com suas piores intenções estampadas na testa. Sempre existe um ar de “fazer amigos”. E os casais nunca se beijam em público. Hipocrisia ou não (sim, às vezes ele só quer ser amigo mesmo), as chances de tornar o que vier depois algo mais sólido e significativo são bem maiores. Não estou falando de relacionamento sério, mas apenas de descobrir fatores que te encantem e que te façam criar memórias que ficarão guardadas depois que o breve intercurso acabar, tornando a experiência algo muito mais empolgante e agradável.

Essa “frigidez” gringa me incomodava um pouco no começo, posta ao lado da notória sensualidade brasileira. Mas hoje vejo de outra forma. Penso em quantas pessoas incríveis conheci em todas as minhas viagens, e depois comparo com as que eu conheci no Brasil. Homem brasileiro no geral trata a mulher muito mal e porcamente. Gringo, ao contrário, trata a mulher com mais cuidado e respeito.

Estando no exterior, às vezes sinto falta desse calor latino. Mas quando volto à terrinha, sinto extremo asco do comportamento médio do brasileiro. Relembro meus relacionamentos anteriores no Brasil e observo o comportamente alheio, inclusive de amigos, e fico contente por poder viajar e me ver livre de certos desrespeitos recorrentes.

4) Cerveja

Breve. Cinco coisas que eu adoro em relação à cerveja no Brasil:

a. estupidamente gelada
b. camisinha para manter a temperatura
c. garrafa de 600 ML para ser compartilhada pela mesa inteira
d. colarinho razoável no chope
e. mesa de bar

 

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