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Atualização

Saturday March 31, 2007

Acabei de voltar do restaurante, onde tive meu precioso curry com frango. Minha boca ficará com seqüelas, tão apimentado que estava. Chegou uma hora que eu não sentia mais nada e tive que parar. Mas no começo estava bem bom, com uma cervejinha nacional e um salgadinho que tinha uma pimenta engraçada que dava cócegas no nariz.

Garçons muito simpáticos. Acho que eu estou começando a entender os indianos (pelo menos uma parte deles).

 

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Culinárias

Saturday March 31, 2007

Acho que fiquei tão passada pelas primeiras impressões de Chennai, que esqueci de comentar sobre o que eu dificilmente esqueceria: a comida.

Minha primeira experiência foi no avião, como já comentei. O cardápio do trecho Londres-Chennai é típico e as opções, em vez de frango ou carne, são vegetariano ou não-vegetariano (frango). Fui de frango com curry e arroz. Nossa, estava fantástico, nunca comi tão bem em avião.

Já em Chennai, provei cerca de seis pratos diferentes. Minha habilidade com o Tamil (idioma local), diferente do que eu imaginava, beira o zero, o que me faz ignorar totalmente o nome dos pratos. Depois faço uma busca na Wikipédia para descobrir.

Estavam todos bem bons. Obviamente, destaque para os pratos com arroz. Comi um chicken fried-rice (arroz refogado com frango) no hotel, maravilhoso, e, ontem, arroz com curry e vegetais. Enchi o prato de pimenta e, nossa!, até ouvi música enquanto comia.

Também experimentei um negocinho muito interessante chamado befta (que talvez esteja errado, pois acabei de buscar no Google e não achei nada a respeito). beeda. (* corrigido em 7 de julho de 2007)

Fui jantar com os caras do escritório e, na porta do restaurante, havia um carrinho desse tal de befta beeda. Um senhorzinho simpático cuidava do ponto e nos preparou o docinho: pegou uma folha de bananeira e começou a passar várias pastas coloridas, tipo umas cinco diferentes, depois deu uma pitada de vários outros pós e grãos, mais uns cinco tipos, e dobrou, fazendo uma trouxinha. Daí você tinha que enfiar a coisa toda na boca e mastigar.

Na hora, eu estava totalmente enjoada por ter jantado um prato gigantesco de comida, e não fazia idéia do que era aquilo, se era algo suave ou de gosto horrível, sei lá. Medo total de por pra fora todo o curry que havia comido. Mas eles estavam sendo tão agradáveis que seria a coisa mais indelicada recusar. Foi uma explosão de sabores (não, eu não vomitei). Imagine você misturar Halls, Clorets, Jintan, pastas de dente da linha Sorriso Herbal em vários sabores, hortelã e toda sorte de coisinhas refrescantes. Pois é, era aquilo. Sem dúvida, muito mais legal que mascar um Trident depois do almoço. Mas confesso que teria de me acostumar, pois o gosto é bastante forte e um pouco enjoativo.

Ontem, quatro horas da matina, ainda sem dormir depois do dia exaustivo, resolvi descer na lanchonete do hotel para comer (fazia umas 30 horas que eu não comida nada). Para a minha decepção, só havia lanches (ocidentais) no cardápio. Pedi um, non-vegetarian, muito bom, porção generosa e bem recheada. O garçom, ao ouvir o meu pedido, me questionou, meio perplexo: “TEM PRESUNTO!”. Fiquei meio naquelas: “uuuh… e?”. Minutos depois, comendo o lanche, vi aquela carne (que era salame na verdade) e lembrei que, não fosse o fato de estar num hotel super ocidental, eu poderia ser queimada viva numa fogueira por estar comendo carne de vaca. Oops! Foi sem querer.

Hoje comi apenas um chocolate com chá pela manhã, pois estou usando a tática da churrascaria (ou do rodízio de sushi) – planejo jantar um super prato de curry.

A verdade é que tenho comido bem pouco. Ainda estou me acostumando com o novo lugar (consigo ficar dias sem comida quando viajo) e com o novo horário (trabalho das 17h até altas horas da madrugada). Durmo de manhãzinha até a tarde, o que me faz perder o café da manhã e o almoço.

Bem, ainda tenho muito tempo aqui. E ainda não fiquei com nenhum desarranjo intestinal, talvez seja hora de ousar mais. Só preciso roubar mais uns rolos de papel higiênico do hotel.

 

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Quarto dia

Saturday March 31, 2007

Ontem o dia foi penoso no trabalho. Dia de apresentação de projetos malas são sempre tensos. Ao final do dia, meu pescoço estava duro. E isso porque não era nem eu que ia apresentar. Tudo culminou, pior, num bate-boca estressante com os programadores do projeto. Tudo bem que no final a gente virou amiguinho de novo, mas eu, que dificilmente brigo com alguém (a não ser em casos realmente extremos), estava uma pilha de nervos.

Finda a reunião, soube que tudo correu bem e o cliente até sorriu. Um dos programadores, o principal, me deu uma carona de moto até o meu hotel (passava das 2h da manhã).

Daí, enquanto o vento passava pelos meus cabelos, e eu via a agitada Chennai dormindo, senti um novo ânimo. Quem diria que um dia eu iria andar de moto com um indiano às 2h da madrugada nas ruas sujas de T. Nagar? E, ainda por cima, sem capacete?

Essa coisa monstruosa (chamada Chennai) ainda me assusta um pouco. Mas agora sei que é muito cedo para tirar conclusões.

Fato é que, amando ou odiando esta cidade, já gosto da Índia. Quero muito mochilar pelo país.

 

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Terceiro dia

Friday March 30, 2007

Ontem me rendi aos prazeres do conforto ocidental e me mudei para um hotel 4 estrelas, que irá me custar os olhos da cara (inclusive para os padrões ocidentais). O quarto tem dois cômodos, dois banheiros (e uma banheira), duas televisões, um computador, três sofás e uma mesa de jantar. É certamente maior que a minha casa.

Me senti um tanto quanto idiota pela extravagância, mas fiquei muito feliz por tomar cerveja com pringles (tem um mini-bar no meu quarto) e usar papel higiênico depois de sentar numa privada limpa.

Acho que até fiz as pazes com a cidade. Fiquei pensando nessa coisa de conforto e luxo. É engraçado como essas coisas não existem por aqui e ninguém faz questão nenhuma.

Agora, a coisa mais legal daqui, além do auto-riquixá (que é a minha única alegria durante o dia), é a calma das pessoas. Não existe gente estressada, brava, com ódio, violenta, rancorosa ou coisas do tipo. Ok, estou simplifcando demais (e nem passei tempo suficiente aqui para saber). Mas no trânsito, por exemplo. Você pode enfiar a mão na buzina para alguém e ele nem vai te olhar feio. Você pode meter o carro no meio de um cruzamento e todo mundo vai simplesmente parar para você passar. Ou não – podem estraçalhar o seu carro, mas ninguém vai xingar ninguém.

Rodrigo perguntou de violência aqui. Não vi nada disso. É uma coisa engraçada. Vez ou outra deve acontecer um roubo, mas as pessoas não são violentas. Como falei, tem favelas por todo o lado aqui, e eu posso caminhar por elas com meu laptop nas costas, normalmente, sem risco algum.

Mas ouvi dizer que no norte existem gangues de macacos trombadinhas.

 

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Segundo dia

Thursday March 29, 2007

Se o primeiro dia foi “não tão ruim”, o segundo foi horrível. Começou mal, pois logo de manhã, às 10h, quando ia fazer o checkout, descobri que a hora de checkout é a hora que você fez o checkin (5h30 da madrugada). Ótimo, né?

Depois, parti para uma andança frustrada pela praia da Marina. Não me aventurei pelas areias, pois não era exatamente uma área turística (é péssimo, às vezes sinto que carrego um neon piscante em cima da cabeça TURISTA!!! TURISTA!!!).

Andei pela avenida da orla, um lugar feio que dá dó, e resolvi pegar o auto-riquixá de volta ao hotel. Daí fiquei meio desolada, pensando em como esta cidade é inabitável para quem não é daqui, e ansiando loucamente pelo momento de visitar outros lugares no interior ou até mesmo Bangalore ou Goa, onde deve haver mãos mais suaves para com os outsiders.

E pensei também que havia alcançado o outro extremo da experiência turística. Sempre odiei coisas de turista, sempre preferi me misturar aos locais e ver como eles vivem, onde comem, se fazem a sesta ou não, se vão para a balada tarde ou se dormem com as galinhas. Gosto muito mais de andar pelas ruas numa cidade desconhecida, do que ver um prédio ou um monumento famoso. Prefiro sentar num café e observar o movimento, a ir a um museu (coisa que eu só faria se eu gostasse mesmo de ir em museu, inclusive na minha cidade).

Mas hoje, ah, como eu quis que houvesse umazinha coisa turística nesta cidade áspera. Um pub de gringos, um bairro elegante, um vilarejo simpático, uma área de restaurantes arrumadinhos, uma pracinha romântica para relaxar. Mas nada. Todo lugar que eu vou é barulho, sujeira, favela – o caos e a feiúra em seu estado mais puro – sem nenhum charme sebastiano.

E esse é o meu outro extremo. Nunca imaginei que eu fosse escrever isso sobre uma cidade. Reclamar porque tem favela? Acho que a febre arrogante que o dinheiro proporciona está me afetando. Hoje almocei muito bem no hotel, com refri e água, e sabe quanto paguei? 5 reais. Aqui eu sou milionária.

Sei que isso vai passar, eventually. E sei também que as pessoas salvam lugares (assim como o oposto). Ainda não deu para conhecer as pessoas daqui, mas quando eu entender como elas são, eu já estarei indo embora.

Minha câmera está enfiada no fundo da mochila. Ainda não houve cena que eu quisesse registrar.

 

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Primeiro dia

Wednesday March 28, 2007

Um texto que escrevi assim que cheguei no hotel esta manhã:

Acabei de chegar em Chennai. A primeira impressão é boa, se for comparar com as expectativas. O vôo a partir de Londres foi tranqüilo, com direito a cardápio típico indiano (o frango com curry foi sem dúvida a melhor refeição de avião que eu já comi). Passei pela imigração com um simpático funcionário que perguntou se eu tinha ascendência japonesa, por causa do meu nome, e disse que sabia que no Brasil e no Peru havia muitos japoneses. Notável, já que há indianos que nem sabem que existe um país chamado Brasil.

Não fui assediada por ambulantes, pedintes ou taxistas, como tanto haviam me dito. Tudo bem, era pouco mais de 5h da manhã. Mas as ruas já estavam cheias, apesar de ainda escuro. Um calor infernal (tenho medo do meio-dia). Um cara estranho, maltrapilho e de chinelos, veio falando várias coisas para mim, numa língua indecifrável, no que eu respondi, com aquela cara de perdida: “taxi?”. Ele disse que sim. Era na verdade um auto-riquixá, basicamente uma moto com uma carcaça de carrinho, coisa bem local. Fui toda feliz, quase rindo, enquanto arriscava a vida em cada curva ou cruzamento (o trânsito é uma coisa de louco), naquele meio de lomoção instável, sem portas e bem pouco seguro. Muito legal.

Como esperava, não entendo bulhufas do que falam. A coisa mais engraçada é conversar com alguém numa língua que não é dominada por nenhum dos dois. Estou aprendendo o inglês indiano (ma inglishi is bad), porque percebi que eles também não me entendem.

Pedi pro cara me levar para um hotel. Um local bem apessoado, com uma certa ostentação colonial inglesa (tem uma jaula com um tigre de pelúcia no meu quarto). 50 dólares a noite. Meio caro, se considerar que não há chuveiro nem papel higiênico no banheiro. Tomei banho de balde e caneca, mas estava tão animada por simplesmente tomar banho que nem liguei. Amanhã procuro outro lugar para ficar.

Outra dificuldade é o dinheiro. Não vejo tanta grana desde o Cruzeiro (1 dólar corresponde a 40 rúpias). É uma dificuldade terrível não ter noção de proporção com os valores e ainda por cima gerenciar as notas. Não tenho trocado ainda, e me senti muito mal por não dar gorjeta pro garoto que carrega malas do hotel.

Vou dar uma esticadinha agora, mas logo mais saio para dar uma volta na cidade. Vou ver se faço um reconhecimento do local, acho um caixa automático e um lugar bonzinho para comer (quero muito comer com a mão). À tarde vou no escritório trabalhar e conhecer o povo da fiRRRma. Espero que dê tudo certo.

Um par de horas na Índia e tudo bem.

 

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Indianas

Wednesday March 28, 2007

Cheguei. Cansada, suada, perdida. Viva.

A cidade é uma loucura – um caos da mesma natureza que a bagunça de São Paulo. Estou adorando.

Mais notícias depois.

 

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Et d'ailleurs

Monday March 19, 2007

Quem sabe, talvez, é possível… que eu vá para a França! Meus planos de viagem não param de melhorar :) Uma escapadinha de Londres de um ou dois dias em Lille não fará mal a ninguém.

O melhor de tudo isso é que vou rever um amigo francês que conheci dois anos atrás na Argentina. Ele é dessas pessoas com quem a gente conversa cinco minutos e já vira amigo.

Feliz feliz feliz!

 

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Versinhos

Friday March 16, 2007

Odeio aquelas pessoas que são apaixonadas por poesia e acham que falar qualquer coisa sem sentido e que rima (quando não rima é ainda pior, confesso) é poético. Odeio gente que fica parafraseando trechos de poesia, querendo dizer alguma coisa – geralmente sobre si mesmo.

Dito isso.

Nossa, Carlos Drummond de Andrade é foda. O Poema de sete faces é provavelmente um dos melhores do gênero.

É minha poesia de cabeceira (junto com outros do mesmo autor), daquelas que sempre pipocam na sua cabeça em certos momentos da vida.

 

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Rápidas

Friday March 16, 2007

1. Fui acometida por uma gula incontrolável por papinhas de nenê. Sempre fui fã da iguaria, mas esta semana a vontade apertou. Sério. Mesmo sabendo que é horrível para o gosto comum (sem sal e tem aquele cheiro enjoativo), eu acho absurdamente gostoso. Pena que é tão caro.

2. Ainda estou para montar minha reação à Índia. Não sei bem o que esperar. Sei que será bem diferente, sujo e caótico (é o que todos dizem). Mas não sei como irei reagir. Por um lado bate o espírito aventureiro-jornalístico, que tende a achar qualquer perrengue super legal; por outro, tem a minha consciência ocidental, personificado pelo meu chefe americano, que adora me assustar sobre o que terei de enfrentar lá. Só sei que vou levar um carregamento de papel higiênico e absorvente.

3. É engraçado. Incrível como eu me dou bem com o pessoal do trabalho. As conversas são sempre muito divertidas e eu me recordo de alguma lembrança agradável de NY todos os dias, invariavelmente. Diria que temos um tipo de humor bem parecido, de forma que nem é preciso dizer nada para que exista a piada. Sem dúvida, eles são os primeiros culpados pela minha enorme vontade de voltar para lá.

4. Só de pensar só de pensar na minha viagem… ah! Como estou feliz! E ainda tem Londres na volta :) Lembro de cada vez em que estive pela primeira vez num lugar. Rola aquele estranhamento, a sensação de sonho, e uma explosão de entusiasmo lá no fundo do peito (que você só percebe depois de um tempo). Anseio desesperadamente pelas horas que vou sentar à beira do desconhecido, com uma xicara de café, uma cerveja ou uma garrafinha de água na mão. Sei que minha vida acontece mais nessas horas (ou pelo menos a percebo acontecendo mais).

5. Façam suas apostas. Érica vai conseguir se formar neste semestre?

 

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