Friday September 29, 2006
E meu dia foi assim:
Acordei tarde, porque não tinha de trabalhar cedo. Lá pelas 11h, saltei da cama, liguei o computador e comecei a botar a conversa em dia. Eis que meu celular toca. É o chefe, perguntando se eu posso ir trabalhar já, para cobrir uma outra garçonete. Beleza, fazer o quê. Me troquei voando e fui para o restaurante. Dez minutos lá e de repente chega a vigilância sanitária (eu já tinha usado o adjetivo “sujo” para o restaurante?). Dia vai e vem, e me chega uma turma de 12 pirralhos. Eu, lerda e inexperiente que dá dó, me atrapalho toda com os pimpolhos, deixando todos os outros clientes irritados, com o cardápio na mão. Mó correria, pedidos errados, gente reclamando, o chefe gritando, refrigerante faltando – o caos. Até uma hora em que consegui administrar tudo. Dali umas horinhas, no meio da tarde, cai a bomba: “o restaurante vai fechar”. O vigilante colou um papel laranja na porta e interditou o local. Toca expulsar os clientes. A cozinha em polvorosa. Desempregados? Uma zona, ninguém falava nada, ninguém sabia de nada. Começamos a empilhar as cadeiras, guardar os temperos, jogar os sucos fora, recolher os perecíveis do estoque. “Fudeu, estou desempregada”, pensei. Aí uma hora cansei e fui para casa.
Acredita? Duas semanas, dois empregos, dois estabelecimentos fechados, duas vezes desempregada. Vou me benzer amanhã.
Wednesday September 27, 2006
1. Hoje comecei mal e porcamente minha nada promissora carreira de bartender. De uma terra onde só se bebe cerveja, caipirinha e vodka com coca-cola, eu mal sei preparar um martini. Parecia uma pomba ao manusear as garrafas e coqueteleiras. Mas tudo bem, os clientes hoje estavam de super bom humor e, em vez de me xingarem, me deram gordas gorjetas de boa sorte e até fizeram a gentileza de elogiar o meu cosmopolitan.
2. Ontem peguei o metrô de volta pra casa às 2h da madrugada. Só dava eu e os ratos na plataforma esperado o trem. Não sabia se corria, subia no banco, gritava ou fingia que não estava vendo. Tem rato demais em NYC, é totalmente nojento (gross, disgusting, nasty – incrível como tem sinônimo para isso em inglês; e você ouve todos eles todos os dias). Hoje, lamberia o chão do metrô de São Paulo.
3. Unhas do pé vermelhas, sapatilha, micro shorts, blusinha listrada ultra comprida sobre uma blusa branca, bolsa sacola, coque frouxo no topo da cabeça, óculos gigantes, um quilo de rímel, ipod e um copo de papel de café do Starbucks na mão. Essa é a garota novaiorquina.
4. Hoje dei uma entrevista para o pré-lançamento de um novo perfume de NY. Quando estiver editado e online mando o link para me verem pateticamente cheirando um perfume e dizendo coisas como: “it reminds me of tropical forrests and big cities… leaf… it’s very fresh…”. A entrevistadora disse que eu era fashionable – o que eu poderia dizer? Tinha de aceitar o mico.
Wednesday September 20, 2006
1. Eu tinha que vir até Nova York para comer um yakisoba decente? Depois de sucessivas tentativas frustradas em São Paulo (metade com macarrão de espaguete), hoje finalmente almocei um yakisoba gostoso, do jeito que eu queria. Foi num restaurante sujo, onde, aliás, comecei a trabalhar hoje.
2. E domingo começo num restaurante ajeitado de soul food. Esse sim é um lugar que eu gostaria de trabalhar. Fiquei bem feliz.
3. Aliás, entre os meus empregos aqui, tive dois chefes negros, um mexicano e vários orientais. Algo, assim, impossível no Brasil. Falem mal o quanto quiserem dos EUA, mas que aqui é a terra da oportunidade, ah, isso é.
4. Ontem tomei caipirinha. Me senti muito em casa.
Tuesday September 19, 2006
Hoje foi meu dia de folga. Acordei ao meio-dia, tomei banho caprichado, almocei cheesecake e picles, conversei com os amigos do Brasil, tomei um monte de café, lagartei na Union Square, comprei shampoo e jantei pão de forma com cream cheese. Vida boa dura pouco. Amanhã bato perna por um novo emprego.
Aliás, hoje, sentada na Union Square, me deu um arroubo louco de gula por coxinha (grande, cremosa, gordurenta e molhada de pimenta vermelha) e cafezinho (cheiroso, doce e forte). Claro que eu não achei nenhum dos dois. Fui pra casa frustradíssima, coitada.
Monday September 18, 2006
E meu dia foi assim:
Não tinha deixado despertador na noite anterior, pois não tinha de acordar cedo. No entanto, meu relógio biológico estava acertado para não me deixar dormir demais, pois tinha de lavar roupa. Fazia três semanas que eu não o fazia, tanta era a minha falta de tempo. Acordei 11h. O trabalho era às 16h. Tomei banho, arrebanhei meus trapos e me fui para a lavanderia, do outro lado da rua. Primeira vez, claro, me atrapalhei toda para administrar as moedas de 25 centavos nas máquinas de 3 dólares. Joguei pro lado a tanga vermelha que estava na máquina que eu ia usar, carreguei o compartimento e voltei pra casa. Chegando lá, vi que tinha esquecido de levar um lençol. Paciência. Nesse meio tempo, liguei para um restaurante para marcar uma entrevista de emprego. Para variar, não entendi metade do que o cara disse, mas sei que marquei entrevista para terça-feira. Daí voltei para a lavanderia para pôr as roupas na secadora. Feito, saí alegre à procura de uma cafeteria para tomar meu expresso gostoso. Andei três quadras até achar um Starbucks. Entrei na fila e então percebo que não tenho um puto na carteira. Resolvi voltar para casa mesmo. Fiz uma horinha e voltei para a lavanderia, quando então percebo que minhas moedinhas não foram suficientes para secar as calças jeans. Toca eu colocar mais 25 centavos. Fui para o mercado comprar pão. Bem, de roupa limpa, voltei para casa. Me arrumei para o trabalho e fui. A mesma bosta dos últimos dias. Restaurante lento, staff reduzido e um tédio monstro. Cabeça vazia, oficina do diabo. Lá vão os garçons confabular contra os chefes, até que a conversa culmina em George Bush, budismo e voluntariado na Índia. Roubei um pudim de gergelim da cozinha entre um cliente e outro. Hora de ir embora, cheguei para o meu chefe e disse: “me demito”. Ele já sabia que eu ia falar isso, cínico. Fizemos aquele blá blá blá clássico, “gostamos do seu trabalho”, “é, eu gosto de trabalhar aqui”, lá lá lá lá bleargh. Peguei o trem e cheguei em casa, mega cansada, querendo mergulhar no sofá-cama (trabalharia às 8h no dia seguinte). Troquei de roupa, escovei os dentes, tirei a lente de contato, lavei o rosto. Daí fui dar uma checadinha no meu email e eis que vejo uma mensagem bizarra, que dizia: “Café Ari está fechando, festa de despedida HOJE”. Detalhe que Café Ari é o lugar que eu trabalharia na manhã seguinte. Era mais de meia-noite, mas como o café é do lado de casa, resolvi dar uma passada para ver a tal festa de tchau. Troquei de roupa de novo e fui. Cheguei lá, o lugar estava todo coberto de papel pardo, com as cadeiras recolhidas e o balcão cheio de caixas. Fudeu, estou desempregada, pensei. Entrei e comecei a ajudar a empacotar os copos e xícaras, essas coisas. Faturei umas caixas de leite, um cheesecake inteiro, laranjas, maçãs e vários chás. Quando terminamos de empacotar tudo, era 5h da manhã. Aí voltei pra casa. E dormi.
Que dia estranho.
Sunday September 17, 2006
1. Ontem me senti uma operária explorada, com direito a reunião do sindicato, planos de motim e táticas de guerrilha com pudim de caramelo. Mas, nah, no final das contas só vou mesmo pedir demissão.
2. Hoje fui naquelas lojinhas cheias de máquina de lavar que funcionam com moeda. Claro que as meias continuam imundas.
3. Ontem, voltando do trabalho a 1h da madrugada, me deparei com tanta gente bizarra de calça apertada, óculos de aro grosso e cabelinho liso que eu me senti em São Paulo.
4. E o verão voltou a NY.
5. Preciso parar de ser boazinha e começar a ganhar dinheiro. Sorrir não enche barriga.
Friday September 15, 2006
1. Mega cansada. Nunca fui fã do labor, hoje menos ainda.
2. Hoje a minha companhia em Nova York voltou para o Brasil. Estou sozinha agora, chuinf.
3. Tanto falei naquela tal coisa de ir embora, e agora que enfim me fui para bem longe, continuo esperando o oblívio. Me deixem em paz, por favor?
4. Você sabe que já está há muito tempo nos EUA quando começa a falar em inglês com brasileiros. Aliás, como eu adoro a língua portuguesa e a voz e o sotaque brasileiro. É música para os meus ouvidos. Tem dias em que até a minha própria voz falando português me agrada (isso foi uma brincadeira com fundo de verdade).
5. Tenho vários colegas de trabalho chineses. Estou ficando craque em China.
6. Ainda bem que eu sou hetero, já pensou ter que agüentar mulher? Nossa, que seres insuportáveis. Será que eu sou tão chata assim?
7. Descobri duas cervejas japonesas muito boas, Kirin e Sapporo. Sapporo até me lembra Bohemia.
Tuesday September 12, 2006
De vez em quando eu sinto falta de escrever. Abaixo, uma literaturazinha de última hora. Aquela (aquela aquela) brisa sempre sopra enfim. Soprou hoje.
Tuesday September 12, 2006
Aquele friozinho da noite agasalhava os dois, envoltos neles mesmos entre moletons e jeans baixo sob mãos rebeldes. O calor do ímpeto os esquentava também, é verdade.
Como ela sentia falta de carinhos ternos! Sorria francamente para ele.
Mas ela já sabia o tom da conversa quando ele perguntou: “você me acha uma pessoa ruim?”, vinte minutos depois de conversar com a namorada pelo telefone. “Eu não sei se vou casar com ela. Mas agora ela está longe e eu só quero me divertir”, continuou.
Ventava, ventava. E as folhinhas antes brilhantes de expectativa caíram impotentes e amareladas dos olhos dela – o sopro que varre esperanças. “Divertir!”, repetia reticente para ela mesma, enquanto vestia um sorriso parco e o envolvia pela cintura.
A vida guarda esses momentos bons em caixinhas de papel. Descartáveis. Sua noite perfeita se esvaía, enquanto o papel se desfazia nas águas insconstantes, indo longe. Era meia-noite.
Ora, de que reclamava? Tão acostumada estava a ser a diversão das horas vagas. Sua felicidade era dada, não era conquistada. Ela achava ter pena das namoradas – cornas! – mas, ah, coitada. De que era feita sua felicidade? O tempo insistia em lhe contar.
Abraçou-o muito forte, encostando a cabeça em seu ombro. Sorriu consentida e disse um até logo distante. Queria de verdade saber abrir as caixinhas de papel, mas, na hora de se deitar, se fez disposta a rejeitar um presente mais da vida.
Molhou o travesseiro, se secou com as mãos e logo adormeceu. Amanhã acordava cedo para trabalhar.
Sunday September 10, 2006
Saudades.
Eu não sou muito apegada às coisas. Me considero bastante desprendida para viajar e passar tempos longe de casa. Mas hoje, depois de quase um mês em novos ares, o peito apertou.
Ai, que saudades!
Estou muito contente por estar em Nova York. Apesar de estar gastando dinheiro feito uma louca, a experiência tem sido ótima. Não sei o quanto disso tudo vai ficar, o quanto vou mudar, o quanto vou crescer. Mas serão quatro meses guardados com carinho na memória. (Mi, te adoro!)
Mas mas mas… que vontade de acordar e falar bom dia para os meus pais, de brincar com a Nina (minha cachorra), de passar horas conversando com a minha irmã, de comer doces e fofocar com as meninas, de encher a cara de Original com os meninos, de comer pastel, pão de queijo e PF.
Saudade de abraço e oi com beijo na bochecha.
Ai ai!