Thursday August 31, 2006
1. Segundo dia de trabalho no café. Acho que vou ficar bem. Afinal, fazer café não é lá muito difícil.
2. Noite divertidíssima anteontem na rua Bleecker. Two-dollar shot of Kamikaze e three-dollar beers, mais as brejas extras do gerente. NYC é o lugar para beber de graça. Depois, em vez do dogão, uma pizza boa, com direito a um pedaço extra camarada do cara do balcão, durante uma conversa de sotaques engraçados com irlandeses. Se tudo der errado na viagem, valeu a pena só pelas baladas.
3. Vou comprar um celular.
4. O Spanish Harlem é um lugar bem peculiar. Hispânicos e negros por toda a parte. Assim como o é Jackson Heights, no Queens, cheio de hispânicos e chineses. Engraçado é que eu falo espanhol com os hispânicos, mas eles sempre me respondem em inglês. Ai, a minha eterna cara de outsider.
Monday August 28, 2006
1. Ontem fui fazer hora no Asylum, um bar legal na rua Bleecker. Happy hour tranqüilão, brejas importadas a $2,50, refil camarada do gerente, open mic para músicos e o staff divertido de sempre. Tinha um japonês tocando bossa nova e uma dupla feminina de violão e violino tocando Garota de Ipanema que foi sensacional. Se tem uma coisa foda no Brasil é a música. E isso ninguém discute.
2. Só americano mesmo para tomar café com gelo. Onde já se viu?
3. E hoje vou iniciar a minha vida de Sol. Serei a counter person em treinamento num café bacana perto da New York University, no bairro do singular Joe Gould, o Greenwich Village.
Wednesday August 23, 2006
11 dias em Nova York. Olho e ando pela cidade e não me sinto mais uma turista (apesar da companhia constante do mapa do metrô). O inglês já não me intimida, mas, ironicamente, percebo cada vez mais como eu sou inábil na pronúncia.
O deslumbre pela mistura racial já não é tão forte. Apesar de existir espaços de democracia (coisa que não existe em São Paulo), a separação de etnias é bastante demarcada.
Gosto do bairro em que estive até agora, o Spanish Harlem, predominantemente negro e hispânico. É um lugar feio e intimidador à primeira vista, mas na verdade é agradável, bem servido e seguro.
Gastei muito mais dinheiro do que planejava (na verdade eu já sabia que isso ia acontecer). Mas também vi que fonte de renda aqui não falta.
Ceder o assento no metrô para grávidas, mães com crianças de colo e idosos não é nem um pouco comum. Quando eu pergunto se alguém quer sentar, rola um clima de “nooossa” no vagão.
Os ratos saltitam por entre os trilhos do metrô. Às vezes até pela plataforma de embarque. Já estou amiguinha deles.
Sotaque americano é a coisa mais horrenda do mundo.
Tuesday August 22, 2006
Ontem fui num japa sujo na rua St Marks, no Village. Chama-se Go e é freqüentado majoritariamente por japoneses (do Japão).
Foi o dia mais feliz da minha viagem até agora. O paladar é provavelmente a maior identificação cultural que temos. Não era festival de sushi, mas veio bastante e tinha missoshiro. A minha satisfação era indescritível.
Se eu achar arroz com feijão e bife por aqui vou ser a pessoa mais feliz do mundo.
Friday August 18, 2006
Ontem fui num restaurante no Village, o lugar descolado de NY. Chama-se Blue Ribbon e tem pratos contemporâneos. Pedi um bife com cogumelos e onion rings. Estava delicioso! Mas o melhor: stunning staff!
Monday August 14, 2006
1. Ontem descobri que a pint de Budweiser no mercadinho da esquina custa 1 dolar! Não é incrível?
2. O albergue em que estou era originalmente um asilo. Tem até uma ambulância no pátio. É meio assustador na verdade.
3. Tem muita gente estranha em Nova York. Mas sabe o que é o mais legal daqui? É que ninguém liga se você é estranho ou não. Não é como São Paulo que as pessoas ficam te medindo na rua.
4. Ontem jantei um lanche de almôndegas adivinha onde? No Subway, claro. Estava bem bom.
5. Esta cidade é a síntese do sonho de união entre os povos. É uma grande ironia na verdade, considerando tudo o que se diz ou se pensa sobre os EUA. Se eu encontrei cinco americanos em três dias aqui é demais. Todas as outras centenas de pessoas eram imigrantes. E eles vivem muito bem, obrigado. Acho uma besteira sem tamanho os terroristas quererem explodir NY.
6. A MTV daqui é a coisa mais insuportável que existe provavelmente. Fica o dia todo passando programas sobre as crises de relacionamento de pessoas loiras.
7. Eu acho incrível como as pessoas tem sido simpáticas. Ontem uma senhorinha do albergue ficou tão contente em me ver e achou tanta graça quando eu falei em espanhol com ela que eu quase choro de emoção. Ela é uma fofa.
Sunday August 13, 2006
1. Tudo muito bom até agora. Só pessoas extremamente simpáticas. Tão legais que até me surpreendem.
2. Acho que ainda não caiu a ficha de que eu só vou voltar para casa no final do ano, mas tudo bem.
3. Ontem fui conhecer o apartamento e o bairro em que vou morar a partir da semana que vem. Não poderia ficar mais animada. Meu futuro roommate é muito gente boa, o apartamento é arrumadinho e o bairro é simplesmente uma graça.
4. Ontem conheci a biblioteca pública do Queens. Nossa. Nunca vi nada parecido. É uma biblioteca enorme, com um acervo incrível do mundo todo. Tinha quase a coleção inteira do Mia Couto! E tinha até um andar só para ensino de inglês (é um bairro predominantemente de imigrantes, asiáticos e hispânicos). Sem falar nos CDs, DVDs e jornais de vários países. Vendo isso dá para entender por que tanta gente quer vir morar aqui. Impressionante.
5. E também conheci um supermercado oriental. Do tipo dos que tem na Liberdade, mas do tamanho de um Carrefour. Nossa, eu me imagino morando naquele bairro só por causa do supermercado. Que sonho! Muitos peixes e seres estranhos do mar, condimentos chineses, conservinhas filipinas, panelas de arroz mega modernas, salgadinhos japoneses, enfim, prateleiras e prateleiras de coisas que eu adoraria devorar. Sabe aqueles sonhos de criança, com casas de caramelo e fontes de chocolate? Pois é, o meu sonho é um supermercado daquele.
Friday August 11, 2006
Cheguei em Nova York. Como era de se esperar, vindo de mim, óbvio, sem dúvidas de que seria assim, me perdi ao vir para o albergue. Peguei o ônibus errado, desci no lugar errado, peguei o metrô errado e andei na direção errada. Incrivelmente cheguei onde devia, no Harlem. Como essas coisas acontecem eu não sei.
Engraçado que, pelo menos por enquanto, mudei a imagem de que NY é o lugar mais mal-educado do mundo. Todo mundo para quem eu pedi informação (mais de seis) foi super solícito.
Mega cansada. Por que fui fazer uma mala tão pesada? Pior foi eu subindo a escada do metrô. Sem noção de pesada. Subi quatro degraus (em uns 5 minutos) e quase caio rolando de volta. Ainda bem que apareceu um indiano gente boa para me ajudar.
Eu me divirto com a minha própria incapacidade de locomoção.
Thursday August 10, 2006
E esse foi o sinal indiscutível de boa sorte para a minha viagem:
Londres frustra suposto ataque a dez aviões detém 21 suspeitos
Já vi que vou deixar metade da minha bagagem no Brasil… isso se eu conseguir entrar nos EUA. Hoje é dia!
Wednesday August 9, 2006
Acabei de cancelar meu celular. Se quiserem falar comigo,
liguem aqui em casa (6673-alguma coisa),
me achem no Skype (ericawatanabe),
no MSN (ericapda@hotmail.com),
em Nova York (718 312 8608),
por email/Google Talk (erica.uatanabe).
Eu não ia levar o celular na viagem mesmo, então não faz lá muita diferença.