Friday June 30, 2006
Na preparação para a minha sumida no estrangeiro, fiz, FINALMENTE, meu site profissional. Ele, disse o capitalismo, teve de tomar o lugar do blog. Mas o blog não foi longe, está logo ali (aqui) no http://blog.ericawatanabe.com.
Tem até versão em inglês! Meu deus, eu sou chique demais.
Wednesday June 28, 2006
1. A minha preguiça mental se mede pelo número de “Rápidas” por página.
2. A melhor piada de uma noite agradável é sempre a mesma: “Te ligo”. E eu solto aquela longa e gostosa gargalhada mental.
3. Há duas semanas, me deu um arroubo de nacionalismo tão grande que eu ando perdidamente apaixonada por samba velho. Não consigo escutar outra coisa e, se escuto Marisa Monte no replay, é por causa das minhas aulas de canto apenas.
4. Outro dia fui almoçar no Mercadão. Pedi um pão com pernil e molho, aquele lanche paulistano clássico (R$ 9, ENORME), com direito a suco natural de caju fresco, daqueles que amarram na boca (R$ 3,50). Delicioso!
5. Nossa, hoje o inverno chegou, realmente.
6. Tchau, Brasil! (é, já vou tarde, eu sei)
7. Ontem fui no America e comi uma sobremesa incrível, cujo nome e preço eu esqueci completamente, entorpecida que estava pelo seu sabor indescritível. Mas consistia basicamente numa pera em caldas, sob sorvete de creme e calda de chocolate, com amêndoas por cima.
8. Alguém mais está de saco cheio das propagandas e matérias da imprensa que pintam a mulher como uma TOTAL ignorante para o futebol e, além disso, uma completa idiota? Que mostram a mulher com aquela cara de tonta perguntando “por que ninguém passa a bola para o de preto” ou “por que tal time-com-camiseta-de-tal-cor mudou de lado”?
9. Hoje estava lendo uma entrevista com o Mia Couto e ele falou tudo:
É uma das grandes armadilhas do pensamento racionalista onde nós fomos educados: esta idéia de fazer acreditar que a identidade provém desta unidade, e a unidade é ausência de conflitos, ausência de contrários – o que faz com que nos recusemos plurais. Tu és Michel Laban, tu gostas de literatura, mas tu gostas de mil coisas mais. E, em nome da tua reconhecida personalidade – que tu próprio foste induzido a reconhecer como só sendo uma -, tu vais matando os Michéis todos que existem dentro de ti.
Adquiri portanto esta filosofia. Fiz uma espécie de assembléia com os vários Mias e disse: “Bom, há um que é escritor, mas há outro que gosta de ciência, há outro que gosta de música. Vou fazer uma promessa de que não vou ter que matar nenhum.”
Isto tem também a ver com a errância da minha vida: o fato de ter deixado de ser jornalista quando, em termos de carreira, tinha uma boa posição, o fato de ter saído da medicina e agora ter toda a disponibilidade para, se um dia eu me reconhecer como biólogo, se me sentir armadilhado na profissão ou na carreira profissional, eu imediatamente cortar com isso, inclusivamente cortar com o fato de ser escritor no sentido oficial, de plublicar. Eu não quero ser um “escritor”.
Mia é dos meus.
Tuesday June 27, 2006
Achei a mais impressionante panorâmica da cidade de São Paulo hoje. Clique para ver maior:

Não deixe de ver a foto em tamanho original. Linda linda linda foto.
Friday June 23, 2006
1. Quando tenho vontade de apagar o meu blog sei que é hora de mudanças.
2. A melhor frase de MSN de hoje: “viva o gordo!”.
3. Dia preguiçoso: acordei tarde, assisti TV, trabalhei um pouquinho, assisti ao jogo, matei aula e jantei.
Tuesday June 20, 2006
1. O Rio é ótimo. Pena que tenha tanto carioca. Eles também são ótimos, mas seus egos mal cabem dentro de si. Acho que tive uma overdose de arrogância dessa vez. E de homens desrespeitosos. O guia do Lonely Planet tem um item que explica o problema do machismo na América Latina. Por que mesmo quero ir embora daqui?
2. Conheci a noitada indie do Rio. Acontece na Casa da Matriz, em Botafogo, aos domingos. Tocou até Art Brut, bem legal. Mas os indies de lá são até piores que os daqui. As franjas e os casaquinhos curtos são os mesmos, mas eles ainda têm de se afirmar por lá, o que torna a coisa toda um pouco mais forçada. Enfim, a casa é ótima. Tem vários cômodos e tal, é bem divertido.
3. Viagem de ônibus combina com coxinha, não é verdade? Daquelas cremosas, super recheadas, com pimenta vermelha, de beira de estrada ou de rodoviária. Hoje cheguei no Tietê e fui correndo comprar uma. Estava horrível. Além de frustrada, estou com uma queimação terrível.
4. Assisti a dois filmes ótimos nesse feriadão: Quase dois irmãos e A noiva síria.
5. Conheci três eslovenos na minha vida. Dois deles eram médicos. Será que isso é de alguma forma representativo? Só sei que, quando for para a Europa, quero muito visitar a Eslovênia. E Portugal também.
Monday June 19, 2006
Eh inevitavel se desiludir com o mundo e sua gente. Achei que nao era possivel, mas ate no Rio isso me aconteceu. Odiar gente eh uma coisa bem universal, vejo.
A vantagem, enfim, eh que no Rio posso me render no Arpoador. Meu pobre coracao juvenil extrapola as paredes do meu quarto – grita sem eco.
E, ao pegar o onibus de Botafogo a Ipanema, senti aquela coisa boa que sinto quando ando de coletivo em Sao Paulo (na janela do onibus, a vida). Era hora de me sentir estabelecida.
Cada vez mais sei que preciso ir embora, para bem longe. Cansei de tudo isso.
Thursday June 15, 2006
Feriadão em boa hora. Enquanto repenso meus planos futuros (o que eu realmente espero da vida?), tomo uma cervejinha gelada em Copacabana. Ou confraternizo uma caipirinha com os gringos.
Certo é que as viagens, curtas ou longas, sempre mudam alguma coisa na gente. Espero que mude de novo.
Saturday June 10, 2006
Ser brasileiro é uma enorme responsabilidade. Tem que gostar de samba, carnaval, futebol e caipirinha. Tem que ser quente, feliz e malandro. Se você contraria alguma dessas coisas, meu deus, ou é um brasileiro fajuto, ou é um vendido americanófilo paga pau de gringo.
Tudo bem, a questão é tão velha quanto qualquer expansionismo de épocas remotas. Envolve educação, cultura, tradição, raça. O que me torna brasileira? A lei, que diz que os nascidos em território brasileiro são brasileiros? A criação, já que sempre vivi aqui? A cultura, já que falo português e gosto de arroz e feijão? Ou é a raça que me nega a nacionalidade, como muitos pensam, ao me proferirem impropérios ufanistas pela minha ascendência oriental?
A nação se herda ou dela se apropria-se? A gente pode escolher?
Me sinto a pior das gentes quando meu papel é ser brasileira. Me encabulo na negativa às recorrentes perguntas de estrangeiros: “você gosta de futebol?” ou “você sabe sambar?”.
Ao mesmo tempo, porque é só a cultura brasileira que tem que ser exportada? Eu não posso comprar um rock tipicamente inglês ou um blues americano, sem incorrer na pecha de ser “mainstream”?
É um jogo de contradições. Sempre me considerei brasileiríssima (mais por orgulho do que qualquer coisa), mas tão pouco conheço da chamada “cultura brasileira”. E, se por um lado, sei que devo conhece-la mais, por outro, me parece um tanto forçado que, aos 22 anos, de fato feito e posto, vá me catequizar para sambar e me fanatizar em futebol.
Fato é que não fico nem com os ufanistas que só ouvem Chico Buarque e Maria Rita, nem com os rockpopzinhos que devoram a música em língua inglesa.
Desde tenra adolescência, brado meu internacionalismo. De alguma forma é o que anseio agora. Mas como alcançar um estado de paixão pelo que é “seu” e, ao mesmo tempo, um encanto autêntico pelo que é “de fora”?
Há sempre um quê de 8 ou 80 quanto se fala tendo as fronteiras políticas como pressuposto. Porque aí, nacionalidade é que nem cu. Cada um tem o seu.
Thursday June 8, 2006
Ok, ninguém mais agüenta me ouvir falar do Rio. Mas eu preciso fazer um comentário sobre o albergue em que fiquei.
Passei três dias na última semana no Tupiniquim Hostel, no bairro de Botafogo (rua São Manuel, travessa da rua da Passagem). Paguei R$ 25 pela diária com café da manhã, em dormitório de 10 camas.
É provavelmente o melhor albergue em que já fiquei (talvez fique pau a pau com o Sandanzas, de Buenos Aires – mas, por mais que eu a adore, Bs As não se compara ao Rio).
O lugar é bastante limpo, os chuveiros são ótimos, tem almoço e jantar caseiro a R$ 6,00, muitos muitos DVDs bons, uma coleção incrível de vinis de samba e bossa nova, filtro de água, muitos pufes e um staff gente boa pra caralho.
Pelo menos nos dias em que passei lá, os hóspedes eram os melhores. Nunca me diverti tanto num albergue.
Altamente recomendável.
Thursday June 8, 2006
Ultimamente tenho estado naquelas fases de repensar prioridades. Ou, melhor, de mudar de prioridades. Você vê as coisas e depois vê um pouco mais e de repente nada mais faz sentido. É inevitável a analogia com Platão.
E talvez seja isso que tem me afastado de pessoas de que gosto. Elas estão lá, trabalhando com coisas legais, tomando suas cervejinhas geladas e pingas boas, namorando quando podem e traçando seus futuros, cimentando cada tijolo como se a ordem deles fizesse sentido.
Daí eu vejo como as pessoas vivem. Digo, as pessoas que estão fora do meu circulozinho social ridículo. É muito diverso, sabe? E porque não sabemos de muito, achamos que o que temos é o normal e que provavelmente essa seja a felicidade.
Ao mesmo tempo, há aquela eterna luta aqui dentro: envolver com os braços para despedir-se ou para segurar? Sorrir completa pelo bem-feito ocorrido, contente de que mais uma parte da sua vida foi consolidada feliz? Ou chorar por mais, lutar, querer fazer durar? Satisfação ou saudade?
Essa é a encruzilhada dos bons momentos da vida. São maravilhosos, mas não duram para sempre.
Aí coisas legais acontecem na minha vida e eu não sei se devo pontua-las no passado ou se devo correr atrás para que elas perdurem.
Ainda há muito a aprender…