Sunday April 30, 2006
Ontem fui num bar esquisito na Bleecker St tomar minha Heineken e Guiness. A cerveja aqui eh quente, terrivel.
Na volta, peguei o metro e, milagrosamente, nao me perdi. Alta madrugada, so dava os bebados e eu. Me senti muito local.
Hoje fui ler Norman Mailer no Bryant Park. Livrinho engracado, The executioner’s song. Alias, sentar na praca, coisa que nao existe em Sao Paulo e que eu tanto amo.
Amanha pego um onibus da mafia de Chinatown de volta a WDC. O motorista chines parece que vai sacar uma arma a qualquer momento, eh super emocionante. Tao estupidos quanto os orientais do centro de Sao Paulo. Me sinto em casa. Meus irmaos.
Quarta estou de volta. Saudade saudades de tudo e de todos. Foram so duas semanas, mas, para mim, tudo vira rotina afinal, e nada como a minha rotina de verdade, na minha cama, na minha casa, com os meus.
Sunday April 30, 2006
Alguns diriam que eh perda de tempo. Mas adoro ficar sem fazer nada nas cidades que visito. Hoje foi o que fiz. Andei, andei, andei, lagartei nas pracas, tomei capuccino naqueles copos com tampa e comi donuts, que nem os policiais dos filmes americanos.
Ontem fui num bar chamado Trash, no Brooklyn – um lugar deveras arrumadinho, com cara hype de Vila Madalena. O bar era uma versao tosca punk rock da A Loca. Nao tocava Modest Mouse, mas os All Star, calcas justas e casaquinhos curtos estavam la. Sai do lugar e ouvi Cansei de Ser Sexy tocando do outro lado da rua. Ok, nao era Vila Madalena, era Augusta.
Dias otimos em NY. Sim, ela eh tudo o que eu podia esperar.
Saturday April 29, 2006
Estou em Nova York enfim. Parece que estou num filme. Vi ate fumaca saindo de bueiro. Turista americanofila total, mas estou empolgada. Sentei numa praca hoje e foi divertido ver toda aquela gente estranha. O metro eh uma carroca suja, mas eh muito eficaz. Agora estou no Harlem. Cheguei ha poucas horas, mas ja adoro NY. Nada a ver com a harmoniosa e chata Arlington. NY eh dissonante, assim como Sao Paulo – com a vantagem de ser mais bonita.
Ah, alias, o albergue eh uma bosta. Parece um hotel barato, com chave nas portas, televisao e telefone no quarto, nenhuma area social. Mas nao vou reclamar, pois a localizacao eh perfeita.
Hoje fui convidada a ser modelo de cabelo num concurso de cabeleireiros, com chance de receber uma grana se meu penteado fosse escolhido. Tive outros planos, no entanto, entao perdi a chance de deslanchar minha carreira de modelo em NY. Too bad.
Friday April 28, 2006
Como é ruim estar longe das pessoas de que você mais gosta nos momentos em que elas estão passando por momentos difíceis. Mãe, pai, Yumi, tia, batiam: queria estar perto de vocês agora. Mas sei que não é isso que os faria sentirem-se melhor. Então fico por aqui, torcendo para que tudo caminhe do jeito que deve ser.
Queria ver meu vô mais uma vez. Mas não dá, então fico só com as lembranças. Ditian, descanse.
Tuesday April 25, 2006
Eu só tenho que ir para a frente, tocar a vida. Tenho medo de me ir sem o supra sumo das realizações – a consciência da satisfação no momento em que ela ocorre.
Ok, chega de auto-ajuda por hoje.
Monday April 24, 2006
1. Basta um punhado de dias para fazer do estranho a rotina. Às vezes isso é bom, às vezes, terrível. Verdade é que isso é que é vida (e eu nunca usei tantos verbos ser em seqüência).
2. Há de se conhecer e entender as pessoas antes de odiá-las. Tem tanto para se conhecer e apreciar antes de odiar, mas sou tão inflexível, que eu me convenço cada dia mais que estou fora do jogo social. Vai pro banco, Érica. O que me consola é que o céu ainda é o mesmo (e azul) para todos, inclusive para mim.
3. Outro dia assisti a Beleza americana, com o lindo Kevin Spacey. Ainda não tinha assistido. Fantástico! É meio auto-ajuda, mas ao contrário. Os ângulos da câmera são simplesmente geniais. Cada tomada, um ponto de vista. A essência do “todo mundo está tentando ser feliz” captada em hilárias histórias tristes.
4. Arlington me espera para que eu me deixe conquistar. Eu prometo que deixarei. Só preciso de um banco de praça.
5. A arte de enrolar: tenho raiva dela, ainda que seja perita no assunto.
6. EUA é a terra dos sonhos. A felicidade e satisfação podem ser compradas aqui. E isso não foi uma crítica.
7. Digo que gosto de comer, de viajar, de andar de ônibus, de contemplar, que gosto de São Paulo. Mas, de verdade? Ouvir o português brasileiro é a música perfeita aos meus ouvidos.
Friday April 21, 2006
Apesar do dia de saudades, do resfriado, dos americanos ricos e suas lanchas, da leseira das quintas-feiras e do expresso ruim, hoje o dia terminou perfeito: sentamos a comer uma paella espetacular num bar espanhol chamado Jaleo e ainda tomei uma cerveja gostosa Estrella. Fazia tempo que eu não sentia essa saciedade incrível que só uma refeição bem preparada pode nos proporcionar.
Falem o que for. Comer é sem dúvida nenhuma a melhor coisa do mundo.
Estou começando a simpatizar com a pacata Arlington.
Thursday April 20, 2006
Saudade saudade saudade saudade saudade da minha cidade. Por mais internacional que eu queira ser, não consigo carregar meu lar nas costas. Meu quintal ainda é meu porto seguro.
Tenho um caso de amor com São Paulo.
Thursday April 20, 2006
1. Washington, DC é a cidade perfeita. Tudo é limpo, bonito, eficaz, seguro, o sol sempre brilha e não existe trânsito. Lugar simplesmente estonteante. E os americanos típicos com aquela cara de bobo é fantástico.
2. Já tomei café de uns cinco lugares diferentes. Pobres americanos, não sabem o que é um bom expresso.
3. Eu reclamo da pressa dos paulistanos, mas o povo aqui é IRRITANTE nesse ponto. Eles não estão atrasados, não vão perder o trem, talvez nem saibam para onde estão indo. Mas têm uma mania irrefreável de andar rápido, gralhando no seu pescoço “excuse me! excuse me!”, com aquela voz horrorosa que só americano tem. É idiota, realmente.
4. Hoje vi um grande colchão inflável no meio de uma praça (tipo pula-pula de playground), com uma penca de mulheres emaranhadas jogando twist, em pleno meio-dia. Cenas bizarras que nunca veremos no Brasil.
5. A gente sai do trabalho, vai passear, pega o metrô, senta num bar para beber, sai e vai para um restaurante jantar e depois volta para casa. Olho no relógio e é tipo 21h. Como pode? No Brasil, às 21h começa o esquenta da balada. Aqui, às 22h já está tudo fechado.
6. Essa é terrível: é proibido beber cerveja nas mesinhas externas dos bares.
Wednesday April 19, 2006
Hoje pegamos um táxi cujo motorista era um afegão. Figuraça o cara, eu não conseguia parar de rir.
Primeiro ficou surpreso com a presença de japoneses no Brasil. Depois nos deliciou com ensinamentos sobre a cultura afegã, citando os termos utilizados no esporte nacional e os louros recebidos pelos atletas de tal modalidade.
Eu, inculta, não fazia idéia do que ele falava. Mas os dois amigos que me acompanhavam não tiveram dúvida ao ouvir a descrição: homens em cavalos, arrastando animais. A referência era clara: Rambo.
(bem, Rambo não é da minha época – devia ter uns quatro anos de idade; mas ficou claro o valor histórico-cultural da película)
O esporte se chama buzkashi e é como o futebol no Brasil. Consiste basicamente (pelas parcas leituras que fiz nesta noite) em arrastar um animal morto, como um bode, dentro de um círculo demarcado em um campo. Os jogadores se locomovem sobre cavalos e, segundo o taxista, os caras devem ser como os quarterbacks americanos.
O tio cismou com um dos meus amigos e o chamou, tipo umas dez vezes, “Chapandaz! Chapandaz!”, que é o nome dado aos praticantes do jogo. Disse que eles recebem dinheiro por onde andam, tamanha é sua popularidade.
Na hora de pagar a corrida, ficou tímido e disse que era chato receber dinheiro de um chapandaz. Bizarro!
Valeu a viagem toda esse cara.