Tuesday January 31, 2006
A vida tem trilha sonora, todo mundo sabe. Pode ser música gerada por ondas reais ou aquela que só toca na sua cabeça, nos bons e maus momentos da vida. Sabe? Som e sentimento são inseparáveis.
Trago a minha história em músicas que evito escutar. Essa é a trilha sonora dos piores dias da minha vida:
1. #9 Dream e Mind games, John Lennon
2. I’ll me your mirror, Velvet Underground
3. A lack of color, Death Cab for Cutie
4. Mr. Brightside, Killers
5. Let’s get it on, Marvin Gaye
Hoje escutei a número 2 e 3. Foi estranho, mas foi bom. Nada como ter percepções distintas de momentos que achava tão tristemente consolidados. Reconsiderar o passado.
Ah, vida.
Saturday January 28, 2006
Saí do shopping anexo ao metrô, pela saída da C&A, e estava chovendo. Nem as insistentes gotas que lavavam os táxis em frente, nem o muxoxo do segurança que me observava diminuíram meu passo. Apenas abaixei a cabeça e olhei para cima, como a estender a visão além do toldo da loja. Ar quente paulistano, garoa grossa redentora.
* * *
Fazia muito tempo que eu não tomava chuva. Hoje, como havia poupado meu cabelo da chapinha (confesso que falo isso num misto de franqueza e cinismo) e não vestia roupa branca, resolvi enfrentar a chuva. Foi gostoso. Cheguei em casa feito um pinto molhado. Ok, comparação inadequada.
Aí preparei um bizarro almoço: guiozas com molho de abacate. Não sei se era a fome, mas achei bom.
Thursday January 26, 2006
1. Essas coisas de amizade. Não saberia muito bem definir o que são. Diria até que são tão confusas quanto os relacionamentos amorosos. Recentemente, cheguei em um momento em que caí na real sobre vários “amigos” meus. Quem são as pessoas que realmente importam? De uns tempos pra cá aprendi a abrir mão das coisas: projetos pessoais, profissionais, bens materiais, lembranças. E sinto que chegou a hora de expandir o conceito. É meio politicamente incorreto dizer isso, mas acho que devo deixar para trás algumas pessoas por quem eu achava que tinha um certo carinho.
2. Como foi meu feriado? Ótimo. Almocei japonês no Kazan (vou poupá-los de críticas gastronômicas) e passei o resto do dia andando, bebendo, lagartando e conversando nas vias públicas. São Paulo (e suas refrescantes chuvas de verão) e uma bela companhia bastam para fazer o meu dia… Ipanema ia bem, mas avenida Paulista é adorável também, vai.
3. A melhor batata frita que eu já comi é do O’Malleys (R$ 9). Super crocante, saborosa, porção farta e com vários molhinhos divertidos. Fica melhor ainda se acompanhada de um pint de Heineken.
Wednesday January 25, 2006
1. Depois do fracasso da abobrinha recheada na semana passada, tentei outra receita ao forno. Berinjela com queijo e molho de tomate. É bem simples e fica bom: monte uma forma com camadas de fatias de berinjela fervidas com sal, molho de tomate e queijo mussarela; coloque azeite, noz moscada e parmesão ralado por cima. Servido com vinho branco fica uma delícia.
2. Hoje fiz minha inscrição para o curso de bartender. Fiquei contente como uma criança que aguarda o dia da excursão da escola.
3. Mania estúpida de transformar o Orkut em fonte de matéria jornalística ou de inventar notícia com tópicos de comunidade. Acabo de ler isto na Folha: Site limita vendas para U2; reclamação chega ao Orkut. Em um parágrafo, o texto diz que “até mesmo” uma comunidade no Orkut já fala do problema. Grande merda. “Tem uma comunidade no Orkut sobre isso” é o equivalente digital de “eu li isso na Veja”, podem perceber.
4. Miami Ink (People and Arts) é provavelmente um dos meus programas de TV preferidos. O reality show mostra o cotidiano de um estúdio de tatuagem. Apesar da dramatização exagerada na edição e de uma certa glamurização dos tatuadores, o programa tem alguns aspectos bem interessantes, como as histórias pessoais dos clientes, a Miami super latina e as tatuagens em si.
5. São simplesmente indescritíveis os benefícios da sesta. Agora que posso honrar meus 60 minutos (tá, confesso, geralmente é um pouco mais) de almoço com uma bela cochilada é que posso dizer de boca cheia.
6. A adolescência é realmente uma fase triste da vida. E eu não estou me referindo à minha.
Tuesday January 24, 2006
Atrasado, mas aí vai:
1. Fazer um salto duplo de pára-quedas em Boituva (R$ 285);
2. Definir um tema de TCC (trabalho de conclusão de curso);
3. Fazer o curso de bartender do Senac (R$ 358) e, em seguida, o de flair (R$ 376);
4. Ir ao oftalmologista;
5. Ir para a Chapada Diamantina de ônibus;
6. Tatuar um desenho indígena argentino nas costas;
7. Aprender a cantar;
8. Trabalhar de atendente de caixa no Bob’s;
9. Comprar uma barraca;
10. Das duas, uma: me formar ou ir morar fora do país por um ano.
Tenho certeza de que vou alcançar pelo menos sete dessa lista. É um ano promissor, não tenham dúvidas.
Thursday January 19, 2006
Um dia ainda largo tudo para virar cozinheira.
Quando criança, adorava a Cozinha Maravilhosa da Ofélia e os doces da argentina Marta Ballina (sobrenome que, em pronúncia portenha, soa horrível aos lusófonos), ambas apresentadoras de TV. Por tragédias da vida (enfarto, em 1998, e acidente de carro, em 1997, respectivamente), me deixaram órfã na adolescência, quando perdi o encanto pelas panelas.
Mas tudo voltou. Estou viciada em Jamie Oliver (Segredos de um chefe de cozinha) e Anthony Bourdain (Sem reservas), do canal a cabo Discovery Travel and Living.
Chef de NY e escritor, Bourdain é hilário. No programa, ele viaja a diversos países e prova a culinária local, sem reservas. No menu, carne de tubarão podre, porco-espinho, coração de cobra pulsante e pele de sapo. Não sei se teria tanto estômago quanto ele (não, não teria), mas, se há um emprego dos sonhos, é o dele: viajar, comer e escrever.
Mais tradicional, Oliver visita um grupo de amigos e faz o cardápio — fácil de preparar, com ingredientes comuns e muitas ervas. Não bastassem as habilidades culinárias, ele carrega muitos atributos físicos.
Monday January 16, 2006
1. Nunca imaginei que seria tão penoso comprar um ingresso para o show do U2/Franz Ferdinand. A julgar pelo sofrimento e pelo tempo na fila (9 horas), este é, sem dúvida, o show mais hype dos últimos tempos. Cheguei às 7h da manhã no local de compra de ingresso, sendo que a bilheteria abriria às 10h, e a fila já se assemelhava aos dos concursos de papiloscopista da Polícia Militar.
2. Além de lindas baladinhas melancólicas, Float on, do Modest Mouse, e Rebellion, do Arcade Fire, são ótimos hits de pista. Boas surpresas na festa d’A Lôca de domingo. Pena que Britney Spears, Christina Aguilera e Madonna continuem sendo as divas das bichas.
3. Verãozinho bom…
4. No domingo, comi um fetuccine à marinara (R$ 18) delicioso e farto num restaurantezinho italiano aqui perto de casa, no Tatuapé. Muito camarão, lula, vôngoli e mexilhão no molho vermelho. Um espetáculo! Só chamo atenção aos grãos de areia no mexilhão, que foi mal lavado. Atendimento ótimo e feito pelo próprio dono. Depois passo o serviço, porque agora, confesso, não faço a mínima idéia de qual o nome do lugar.
5. Estou quase acabando de ler Coração envenenado, a auto-biografia do Dee Dee Ramone (valeu, Érico!). É bem surreal e engraçado, apesar de triste. O livro só contribui para o meu encantamento pelo jornalismo de música. Um dia ainda largo tudo para escrever sobre música.
6. Também chego perto do fim de O imperador, de Ryszard Kapuscinski, da série de jornalismo literário da Companhia das Letras (valeu, Guss!). O livro só contribui para o meu encantamento pelo jornalismo literário. Um dia ainda largo tudo para escrever grandes reportagens.
Friday January 13, 2006
Ontem fui assistir a Manderlay (sim, ainda estava em cartaz). Ótimo! Adoro ironias travestidas de bom-mocismo. Destaque para Young Americans, do David Bowie, nas imagens finais, como em Dogville. Ouso dizer que gostei mais de Manderlay do que do antecessor.
Fiquei com mais vontade ainda de conhecer os EUA (pedras voando) e fazer meu TCC sobre algum tema relacionado à história ou cultura afro-americana.
Thursday January 12, 2006
Coisas engraçadas que acontecem após agradáveis copos de cerveja:
1. Minhas mãos ficam inquietas. Não há pedaço de papel, guardanapo ou bolacha que sobreviva. Minha atividade preferida é picar papel em minúsculos pedaços, mas construir artefatos em nós, dobrar origamis e trançar cordas também distraem deveras meus dedos.
2. A confusão mental se esvai e tudo fica subitamente claro e óbvio. Resoluções são tomadas e eu me encho de uma coragem jamais vista em sã consciência.
3. Sinto uma vontade incontrolável de… correr. Geralmente não corro, porque ou estou cansada demais ou a censura social não me permite. Mas quando estou sozinha ou entre amigos, numa longa e calma rua reta, vixe. Corro bons quilômetros sem parar, com um afinco digno de maratonista.
Wednesday January 11, 2006
Não sei o quanto isso repercutiu na imprensa, já que não tenho lido jornal ultimamente. Mas hoje vi no site da SPTrans:
Bilhete Único Integrado Vale-Transporte começa dia 07/01
Desde o dia 30 de dezembro é possível utilizar o Bilhete Único Comum na integração entre ônibus, a linha verde do metrô e a linha C da CPTM, com custo de R$ 3. O reembarque no período de duas horas continua valendo para o ônibus, mas não vale para o metrô ou trem.