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Claro Que É Rock SP

Monday November 28, 2005

Disse que morreria um pouquinho ontem no Claro Que É Rock. Bem, acho que exagerei e quase morri de vez.

Estava grudada no palco que receberia Iggy Pop, tentando manter minha integridade física no meio de menininhas histéricas, desde o fim do show do Good Charlotte. A bandinha da MTV manteve entretido o núcleo infantil do festival (Joel, o vocalista gatinho: “eu só queria saber por quê... por que o resto do mundo não pode ser como o Brasil?”), complementado pela guarda progenitora, que acompanhava os pimpolhos.

De brinde, ganhei uma apresentação do Fantômas. Bem, não há como entender aquilo. Foi bem estranho. Mike Patton passava mal. O som era uma mistura sincopada de metal pesadão, experimentalismo eletrônico, referências pop e insanidades em geral. Patton era como um maestro que, com seus dois microfones e teclado, regia o resto da banda. Ouso dizer que foi muito bom. Ele é uma figura familiar entre os roqueiros paulistas e me pareceu bem à vontade, carismático e lindo. E a voz, mais linda ainda. Leia resenha do UOL.

Em seguida, chegou o Flaming Lips. É realmente uma pena, mas eu perdi o show, que aconteceu no outro palco. Vi apenas alguns flashes no telão. Wayne Coyne na bolha gigante (aquilo foi BEM bizarro), bichinhos de plúcia saltitantes, papéizinhos brilhantes, cover do Queen (calorosamente cantada em coro) e Wayne Coyne entretido com um brinquedinho musical de bebê. Me doeu no coração perder esse show, mas já estava determinada a ver Iggy Pop de perto.

Ele não tardou a aparecer, com Mike Watt, Ron e Scott Asheton. Quase morri. Em todos os sentidos. Fisicamente, fui esmagada, nocauteada e enforcada por um sem número de braços anônimos. Mas, se sobrevivi às mazelas do corpo, foi às custas de ter morrido espiritualmente.

Iggy é rei. Dava para ver a insanidade em seus olhos, logo antes de saltar do palco de 2 metros de altura sobre o público, que estava a outros 2 metros de distância. Depois, quando ele chegava perto, dava até medo (na verdade, na verdade, eu estava torcendo para ele pular na minha cabeça).

Durante No fun, intimou energicamente os fãs a subirem no palco. Foi a cena do inferno. Nunca houve bagunça tão grande em cima de um palco. A produção da banda discutia com os seguranças do festival, que espancavam os fãs, que agarravam Iggy Pop, que, descabelado, continuava cantando. Foi ótimo!

I wanna be your dog (tocada duas vezes) foi o apocalipse da noite. Nunca berrei tanto em minha vida. E culminou com Iggy fazendo doggy style, com sua calça de mulher que mal cobria as vergonhas e sua lordose super sensual.

Antes de Dirt: “no país de vocês, assim como no meu, há uma pirâmide. Os ricos ficam em cima e o resto fica na base. E os que ficam embaixo são chamados de lixo [dirt]”.

Tocou também TV eye, a ótima 1969, Real cool time, Dead rockstar, Funhouse. E algumas outras que eu não sei o nome. Não necessariamente nessa ordem.

No final, pediu para ligarem todas as luzes. “Quero ver vocês. Que se foda a MTV”.

Foi insano. Violento. Selvagem. Iggy é rei.

Sonic Youth

Foi lindo o show! Assisti de longe, mas adorei. Unmade bed foi maravilhosa. Eles são ótimos.

Nine Inch Nails

Também assisti de longe. Mas, NOSSA! Trent Reznor, que saúde! As músicas são muito boas ao vivo, destruidoras. É show para dançar.

A batalha contra a imprensa

Um pouco abaixo do palco, havia um andar intermediário, onde ficava o trilho da câmera (que foi avariada por um chacoalhão alucinado de Iggy). Era também usada pelas bandas, para ficarem mais próxima do público, e pela imprensa. Eu não sei se é sempre assim, já que nunca havia ficado na grade em festivais grandes. Mas ontem foi um horror.

Primeiro que parecia que a imprensa mundial estava cobrindo o festival. Jornalista é uma merda. Sério, tinha um exército em cima desse sub-palco. Nem em coletiva do Presidente da República tem tanta gente.

Segundo que eles cobriam TOTALMENTE a visão de quem estava nas primeiras filas da pista. TOTALMENTE. Qual a frustração de quem se debateu durante horas para estar lá (e esperou anos), para perder TRÊS músicas, exatamente as mais animadas?

Desde o primeiro show de banda conhecida, o Cachorro Grande, o público esconjurava a imprensa veementemente. No show do Iggy, a fúria atingiu o seu máximo, claro. Perdemos três músicas, mas nos divertimos jogando coisas nos fotógrafos e, principalmente, acertando-os com uma bola inflável gigante da Claro (patrocinadora do evento). E eram várias. Os seguranças ficaram desesperados. Foi bem engraçado.

Claro que eu não culpo os jornalistas e fotógrafos. Pelo menos alguns lá estavam realmente trabalhando (a maioria quis apenas assistir o show de camarote – o Rafa da MTV estava lá). Mas nota zero para a organização do evento. Foi uma falta de respeito sem fim.

Pontos negativos

— Spiegel. Meu deus, que banda HORRÍVEL. Som chato, óbvio e uma prepotência ridícula.

— As malditas câmeras digitais. Acho super legal ter lembranças de momentos especiais, principalmente das bandas de que gostamos. Mas pera lá, né? Há de se balancear o prazer entre ver o ídolo ao vivo e vê-lo numa fotografia.

— Pessoas que chegam em você com cara de compaixão: “você está sozinha?”.

Pontos positivos

— Banheiros químicos. Estavam porcos e nojentos como sempre, mas tiveram a brilhante idéia de jogar galhos de alguma árvore cheirosa (eucalipto?) dentro da cabine, de forma a esconder a poça de mijo no chão e disfarçar o mau cheiro. Achei genial.

— Som. Muito bom. Alto e claro.

— Os caras do bar. Sem comentários.

 

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Rápidas

Saturday November 26, 2005

1. Amanhã é dia de morrer um pouquinho. Com lama e tudo. Amanhã tem Claro Q É Rock na Chácara do Jockey.

2. Amanhã pago meu passaporte da felicidade. Vou passar o reveillon no Rio de Janeiro, num lindo albergue em frente à praia de Botafogo. Estou MUITO contente por isso. Vocês não sabem quanto.

3. Amanhã!

4. O final do ano chega e é sempre uma redenção. Talvez seja a única data que me provoca sentimentos, por mais que eu saiba que felicidade não tem hora marcada e que a vida não lê calendário. Mas eu me permito essa hipocrisiazinha. Eu vou afundar com força o botão de reset, vai ser bom demais.

5. Não quero mais me frustrar com as pessoas. Vou me privar da vida social.

6. Estou lendo Memórias de minhas putas tristes. A estranheza de amar. As delícias do desassossego. A falta. O tom de insanidade ficcional de García Márquez — tão tão real — me encanta. Ah, paixões…

7. A juventude de hoje está perdida. Quero vomitar toda vez que vejo fotologs por aí.

8. Tempo é precioso. Me sinto muito afortunada. Sou uma pessoa mais feliz depois de ter pedido demissão do meu último emprego. MUITO mais feliz. Até vou orçar um curso de jiu jitsu na academia nova aqui perto de casa.

9. Estou leve leve. A vida simples. É bom.

10. Recebi uma ligação muito estranha hoje. “De quem é esse celular?”. Meu, respondi. “Qual o seu nome?”. O número era quase igual ao meu, exceto pelo penúltimo dígito e pelo prefixo, 019. Tão tentando me engambelar.

 

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Fotos do rafting

Friday November 25, 2005

Rafting no Rio Jacaré, em Brotas:

 

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Contratado

Wednesday November 23, 2005

Ontem fiz a prova final da minha aula de Literaturas africanas. Fazia uns bons anos que eu não fazia prova. Isso não existe na minha faculdade, a ECA (Escola de Comunicações e Artes). Essa aula é da FFLCH (lê-se “fefeléchi” – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

Havia sete perguntas, das quais deveria eleger duas para responder. Escolhi duas sobre a Geração de Mensagem, um movimento de poetas da década de 50 que buscavam uma identidade angolana.

A primeira pergunta era sobre um poema chamado Monangamba, de Antonio Jacinto. Em termos de estilo, é um texto bastante simples e sem métrica. Tem influência neo-realista e modernista, com forte traços de oralidade. Não é dos meus preferidos, mas retrata um comportamento que, desculpe a comparação totalmente deslocada do contexto, nos é bastante familiar: a dupla trabalho alienado e bebedeira.

Monangamba
Antonio Jacinto

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as
plantações:

Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

     O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
“porrada se refilares”?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
— Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande — ter dinheiro?
— Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
     — “Monangambééé...”

Ah! Deixem-me ao menos subir às
palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras
     — “Monangambééé...”

 

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Google News

Monday November 21, 2005

Não sei desde quando está no ar, mas hoje tive uma bela surpresa ao acessar o controverso Google News. Agora tem versão com notícias de jornais brasileiros! Não saberia defender o sistema, que funciona totalmente operado por máquinas – daí a controvérsia, com argumentos sólidos, mas eu particularmente acho muito útil.

 

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Iam navegando pelo rio abaixo

Sunday November 20, 2005

Ontem fui fazer rafting no Rio Jacaré Pepira, em Brotas (a 242 Km de São Paulo, pouco mais de 3h de viagem de carro). Bem, esperava fortes emoções, mas o que tive foi apenas um passeio lindo, agradável e bastante cansativo. Bastante cansativo.

Depois do sorvetinho e da tapioca na praça da cidade, retornamos a São Paulo. Era por volta de 19h30 quando peguei no volante com os braços estafados de remar. E cheguei em casa à 00h30 (depois de deixar cada um em seu respectivo lar), com uma dor de cabeça animal, enjoada, irritadíssima e totalmente extenuada.

Só tive forças para jogar a mochila num canto, a sacolinha com roupas molhadas em outro e cair dura na cama. Fiquei uns 20 minutos lá, juntando forças para pingar minhas 50 gotas de dipirona e tomar banho.

Acordei hoje às 13h, com o corpo destruído. Eu, hein. Gosto de dirigir, mas ADORO viajar de ônibus. Se não fosse tão caro (R$ 70, contra R$ 30 de carro com 4), só viajava de ônibus.

É, to velha, eu sei.

 

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Rápidas

Saturday November 19, 2005

1. Outro dia flagrei minha mãe trabalhando no computador e ouvindo Death from Above 1979. Fiquei bem assustada.

2. Amanhã vou para Brotas fazer rafting! Faz meses que eu estou para marcar, estou super ansiosa. Além disso, faz um bom tempo que eu não viajo.

3. Fantômas, de Mike Patton, no Claro Q É Rock. Ótimo!

4. Próxima semana termina a faculdade. E aí será só alegria.

5. Iggy, eu te amo.

 

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Rápidas

Wednesday November 16, 2005

1. Aí eu fiquei muito contente por não ter de saltar do avião sozinha. A Lucinha disse que ia comigo pular de pára-quedas. Meus amigos homens não tem colhão suficiente. A Lucinha também não (ainda bem), mas ela tem peito. Nunca imaginei que faria isso, mas vai ser muito legal.

2. Hoje tive minha primeira aula de canto. O professor falou que eu vou aprender rápido, só não sei se ele estava sendo sincero ou delicado.

3. Estou escrevendo uma monografia sobre a galinha de Clarice Lispector.

4. Hoje me deu uma vontade de ouvir Smashing Pumpkins que eu até desenterrei meia dúzia de mp3s dos meus arquivos. Dsarm, Rhinoceros, Galapogos… baladinhas da minha juventude. Mellon Collie é a trilha sonora de uma das partes boas da minha adolescência.

5. Ontem fui assistir a Marcas da violência, o novo de Cronenberg. Cenas fantásticas, cabeludas e sangrentas de violência e morte (melhores que as de Videodrome, um lado b bem trash com a Debbie Harry, do Blondie) e um quê cínico no ar perpassando todo o filme. Sabe? Aquelas sacadinhas cômicas, no meio da trama trágica? Ótimo ótimo Viggo Mortensen. E também uma passagem sexo-é-violência no meio da escada. No final, a cena acaba, a tela fica preta, as luzes do cinema imediatamente se acendem. Não dá tempo de pensar em nada. Ainda estou digerindo o filme.

 

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Todos amam o Brasil

Wednesday November 16, 2005

Win, Richard e Jeremy, do Arcade Fire, fizeram comentários elogiosos ao Brasil no site oficial.

 

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O que me faz bem

Wednesday November 16, 2005

Nações unidas, América Latina única, entendimento entre povos, intercâmbio cultural, tolerância, mundo sem fronteiras. A gente sempre pensa macro. E, muitas vezes, em arroubos estúpidos de nacionalismo, nem pensamos nisso.

Hoje, voltando para casa depois do cineminha (ótimo Viggo Mortensen em Marcas de Violência), lembrei de uma passagem da minha viagem à Argentina.

Quando estava na linda Cafayate (já falei exaustivamente sobre essa cidade, eu sei), tive alguns momentos exemplares do sonho de nações unidas se tornando realidade.

Além da união temporária realizada através da língua espanhola, eu via uma comunhão cultural maravilhosa tomando corpo naquele agradável albergue, o Huayra Sanipy.

Numa certa noite fria, enquanto estávamos bêbados de vinho tinto cafayateño, cantávamos canções que a maioria soubesse, acompanhadas de um violão. Aí alguém puxou Comandante Che Guevara, do Carlos Puebla. Qual a minha surpresa ao ouvir o coro!

Para quem não passou pela fase comunista, digo que a canção é um clássico da Revolução Cubana, de pura exaltação a Che, que era argentino. No violão, um porteño. No coro, italianos, suíças, um israelense, um boliviano, uma espanhola e argentinos de várias províncias. Além da brasileira aqui, claro.

Sem falar no dia em que sentamos todos à mesma mesa para saborear uma autêntica lasanha italiana, feita por Sandro, um típico italiano sujo, cozinheiro. Ou quando italianos e argentinos se uniram para cantar Aquarela do Brasil.

Essa mistura me encanta. Aí voltei para casa e tornei a ouvir as velhas piadas de argentino, português, negro, nordestino, carioca, baiano, americano, japonês…

Essas coisas me fazem querer pegar a mochila e sair por aí. Ir embora, sabe? Estreiteza mental é realmente uma tristeza.

 

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