June 19th, 2009

Rápidas

1. De volta. Tinha desanimado de escrever, um misto de falta de tempo, com rotina e preguiça de escrever em inglês. Por ora, vou escrever apenas em português. Percebi que meus amigos daqui não são dados à leitura e/ou internet (com exceção do Facebook), então não faz muito sentido querer escrever em inglês. Os conhecidos que leem são pessoas do trabalho - e o povo da firrrma é intrometido demais, não dá.

2. Fim do semestre se aproxima. Próximo semestre tenho apenas meu “TCC” da pós-graduação para fazer, não terei aula (ALELUIA). Posso escolher entre tese, projeto ou aula. Claro que vou escolher projeto - tenho vontade de bater em alguém só de pensar em tese ou aula naquela faculdade. O tema já está meio definido; só falta escolher o orientador. Deus queira que exista um ser competente naquele lugar, provavelmente na graduação (porque na pós não tem).

3. Depois de 15 anos usando Windows, fiz a transição para Mac, finalmente. Tem coisas que são bem melhores: sistema operacional mais amigável, softwares de web design exclusivos, editores multimídia básicos (Garage Band e iMovie). E tem coisas que incomodam: aceleração do cursor (eu pessoalmente acho muito irritante usar o mouse do Mac), teclas de atalho (sinto falta das teclas dedicadas, tipo home, end, print screen etc.), posição da tecla command, pontaria do cursor (é mais fácil clicar em items pequenos no Windows, como o botão de fechar). No entanto, no geral, estou gostando muito!

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March 18th, 2009

Valores

Ontem tive aula de uma matéria chamada Design Practical II. (Supostamente) aprendemos o processo do trabalho de um designer. Na aula de ontem, uma das atividades foi uma discussão sobre um brief de design, que é basicamente o documento que descreve os objetivos de um design.

O brief em questão foi o usado em uma competição na Austrália 10 anos atrás para escolher uma nova bandeira nacional. Nessa época, foi feito um referendo para saber se a população queria ou não a mudança do governo para uma república - hoje a Austrália é uma monarquia constitucional e a autoridade máxima ainda é a rainha Elizabeth. 55% votaram pela manutenção da monarquia. A bandeira da Austrália apresenta uma miniatura da bandeira do Reino Unido, como devem saber. No caso de uma mudança para a república, a bandeira seria substituída.

O brief da competição dizia que o designer da bandeira vencedora seria “recompensado devidamente”. Em outro trecho, diz que os patrocinadores, Apple e Fuji, dariam produtos como prêmios para o vencedor. Nada é dito em detalhes em relação à premiação.

Bem. Na minha honesta (e talvez ingênua) opinião, o prêmio não faz muita diferença. Imagina o desafio de criar uma nova bandeira para o seu país, que represente as pessoas e a cultura. Imagine a sua reputação como profissional. Você será eternamente, ou enquanto a bandeira for usada, conhecido como o autor da bandeira. Imagine a satisfação de ver a “sua” bandeira tremulando por todos os cantos do mundo onde o seu país é representado. Até deu um friozinho na barriga, mesmo não tendo grandes laços afetivos com o país do canguru.

Antes que alguém reclame: eu não sou nacionalista, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que tenho um senso internacionalista muito grande. Sou totalmente a favor da assimilação cultural e da imigração. Nem curto bandeiras. Mas, vai, ser o autor da bandeira nacional seria fantástico. Eu estou cagando e andando para o prêmio, ou para o fato de que eu vou perder o copyright do design sem ressarcimento (que pertencerá ao governo, obviamente). Não haveria prêmio maior que ver milhões de pessoas adotando seu design como o maior símbolo de uma nação.

Aí, eis que o professor pergunta para a classe o que achamos da competição não especificar um prêmio. Todos, com exceção de uma pessoa, rechaçaram veementemente a competição como algo tosco, já que corríamos o risco de não ganhar nada como prêmio. “Ninguém vai querer participar. Vão gastar tempo em troca de quê?” falaram. O outro único que discordou ainda tentou argumentar, dizendo que haveria o prêmio moral. Todos riram.

(todos os alunos da minha turma são estrangeiros - metade da Europa, metade da Ásia; o professor é chinês)

O professor, inclusive, emendou um comentário, em alusão à perda de copyright, fazendo pouco caso de Alberto Korda, dizendo que se ele tivesse cobrado seus direitos de copyright sobre as reproduções da famosa foto de Che Guevara, ele estaria rico. Tipo, não entendeu absolutamente nada.

Quase chorei. Momentos assim fazem morrer um pouquinho minha esperança na humanidade.

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February 3rd, 2009

Pelo estômago/By the stomach

Estou lendo um livro chamado “The Nasty Bits“, do chef americano Anthony Bourdain (meu favorito). Comprei no sebo pela bagatela de 12 AUD (dólares australianos) - o preço original era 24. Aliás, também comprei na mesma ocasião “Filth”, de Irvine Welsh, e “How to be good”, de Nick Hornby, que espero serem bons.

Bourdain apresenta um show na TV a cabo chamado “Sem Reservas”, em que ele viaja pelo mundo experimentando a culinária local. O programa é menos sobre a comida em si (não tem detalhes das receitas ou descrições pornográficas sobre o sabor do prato), e mais sobre a experiência (dele, que fique claro).

“The Nasty Bits” é uma coletânea de artigos escritos em suas várias viagens. O que dizer? Ler Anthony Bourdain tem um efeito totalmente viciante sobre mim. Se tivesse tempo, conseguiria ler o livro numa tacada só. É divertido, leve, irônico, inspirador. E, claro, tentador, como todo papo de comida é.

Além de ser fã do programa de TV, já tinha lido o primeiro livro dele, “Kitchen Confidential”, sobre o submundo estranho da cozinha de restaurantes. E, toda vez que vejo ou leio Bourdain, fico, assim, mais apaixonada por comida. Não só pelo ato de comer, mas de apreciar mesmo - abrir um sorriso bobo quando se pensa em uma refeição bem preparada, em pratos típicos bizarros, em comida de mãe; ficar com fome ao assistir programas de pescaria, ou instantaneamente imaginar um sushi gostoso ao observar peixinhos bonitinhos no aquário; passar as horas livres criando pratos imaginários com ingredientes improváveis.

Morando aqui na Austrália, a comida passa a ser a maior âncora que me liga ao Brasil. Quando morava em NY, a língua era o que mais pesava. Mas morei lá apenas por quatro meses. Faz um ano que estou em Sydney (descontando férias no Brasil), e enquanto a língua se afia no inglês e desafia no português, o estômago se ressente de saudade daquelas coisas que a gente passou a vida toda sentindo vontade de comer quando estava com fome - arroz com feijão, macarronada, batatinha com carne, feijoada, pastel, coxinha, pudim de leite, caldo verde e tantas outras coisas boas do Brasil.

Aí às vezes bate aquela saudade de tudo e de todos e lá vou eu pra cozinha buscar o conforto de uma barriga cheia de satisfação. Quando frito o alho no óleo, a cebola refogada, o vapor insosso do arroz, a carne assada, o feijão fervendo, saladinha bem azeda - cada coisinha é um cheiro e uma lembrança, um instinto de que estou em casa.


I‘m reading a book called “The Nasty Bits“, written by an American chef called Anthony Bourdain (my favorite). I bought it in a second-hand bookshop for amazing 12 AUD (Australian dollars) - the original price was 24.  By the way, I also got “Filth”, by Irvine Welsh, and “How to be good”, by Nick Hornby, which I hope are good.

Bourdain has a TV show called “No Reservations”, where he travels around the world trying the local food. The show is less about the food itself (it doesn’t show much details about the recipes or pornographic descriptions about a dish), and more about the experience (his own, I should say).

“The Nasty Bits” is a collection of articles written during his travels. What can I say? Reading Anthony Bourdain has a totally addictive effect on me. If I had time, I could read it all at once. It’s entertaining, light, ironic, inspiring. And, of course, tempting, as all food talk is.

Besides being a fan of his show, I had already read his first book, “Kitchen Confidential”, about the underground world of restaurant kitchens. And, everytime I read Bourdain, I fall more and more in love with food. Not only for the act of eating, but actually appreciating it, in every way - have a silly smile when I think of hearty, well executed meals, bizarre traditional dishes, mom’s food; get hungry when watching fishing shows on TV, or instantly imagine a tasty sushi when observing cute fishies in a fish tank; spend my free time creating imaginary dishes with improbable ingredients.

Living in Australia makes food the biggest anchor that attaches me to Brazil. When I used to live in NY, the language was the most difficult thing. But I lived there for only four months. It’s been a year since I moved to Sydney (not considering vacations in Brazil), and while my tongue gets proficient in English and gets over the Portuguese, my stomach resents and misses those things I spent my life feeling like eating when I was hungry - rice and beans, spaguetti, potato and beef, feijoada, pastel, coxinha, milk pudim, caldo verde, among so many other good things from Brazilian cuisine.

Then sometimes I get really homesick and there I go, to the kitchen, in search for the comfort of a belly full of satisfaction. When I fry garlic, onions, the plain steam of rice, roast beef, boiling beans, very tangy salad - each little thing is a smell and a memory, an instinct that says I’m home.

January 22nd, 2009

Rápidas/Quickies

  1. A viagem foi ótima, apesar do extremo calor. Fomos para o Rio e depois Ilha Grande. O plano era ir para Paraty e Trindade, mas não deu tempo.
  2. Ilha Grande é um lugar simplesmente FANTÁSTICO. O Rio continua o mesmo. Ipanema estava tão cheia que parecia 25 de março na época de Natal, só que com areia.
  3. Fiz snorkeling pela primeira vez na Ilha. Achei horrível respirar com aquela máscara, mas ver os peixinhos e bichos estranhos debaixo d’água valeu a pena.
  4. A pior coisa de fazer visitas à terra natal é a pressão para ver todo mundo, amigos e família, e ainda ter de conciliar isso tudo com a vontade de descansar, viajar e aproveitar as férias.
  5. Minha linda câmera foi vítima de uma tempestade tropical durante um passeio de barco na Ilha Grande e morreu. É o fim de uma carreira fotográfica promissora (ahã) - até que sobre dindin para consertar (ou comprar outra), o que nunca se sabe quando vai acontecer.
  6. Voltar para São Paulo é sempre revigorante. Adoro adoro adoro essa cidade.
  7. Comentário nada a ver: me surpreende ver como brasileiro acha que rede de fast food é legal. Em qualquer lugar do mundo, fast food é comida porcaria e barata. No Brasil, é porcaria e cara. E todo mundo paga. Lucas queria comer e gastar pouco no aeroporto e quase caiu de costas quando viu o preço do McDonald’s e da Pizza Hut (entre R$15 e R$20). Achou melhor esperar e comer em Sydney mesmo, é bem mais barato lá. Ele também riu quando falei que Domino’s era considerada pizza chique e que só tinha nos bairros ricos. Na Austrália a gente come Domino’s quando tá ruim de grana.

  1. The trip was great, despite the heat. We went to Rio de Janeiro and Ilha Grande (”big island”). The original plan was to go to Paraty and Trindade as well, but we ran out of time.
  2. Ilha Grande is simply AMAZING. Rio is still the same. Ipanema was so packed it felt like 25 de março in Christmas time, but with sand.
  3. I went snorkeling for the first time. I found breathing though that mask was horrible, but it was worth it seeing the little fishes and weird stuff underwater.
  4. The worst thing about visiting your hometown is the pressure to see everyone, friends and family. And, more, having to coordinate it all with your own will to relax, travel and enjoy your vacation.
  5. My gorgeous camera was victim of a tropical storm during a boat trip around the island. That was the end of a promising photographic career (sure) - until I save enough money to fix it, which we never know when might happen.
  6. Coming back to Sao Paulo is always revigorating. I love love love this city.
  7. Off-topic comment: it surprises me to see how Brazilians think fast food chains are cool. Anywhere in the world, fast food is considered crap and cheap food. In Brazil, it is crap and expensive. And everyone is willing to pay. Lucas wanted to have a cheap snack at the airport and was shocked when he saw the prices at McDonald’s and Pizza Hut (between 15 and 20 BRL - considered restaurant prices in Sao Paulo). He thought it was better to wait and have it in Sydney, where they are cheaper. He also laughed when I told him that Domino’s was an upscale pizza place and that it was only found in rich neighborhoods. In Australia, we only eat at Domino’s when we are short of cash.
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January 21st, 2009

De volta/Back

Acabada a viagem. Mais uns dias em São Paulo e logo mais estarei de volta a Sydney. Desculpas aos que tentaram me contactar por telefone, email, Orkut ou pelo blog, mas eu estive deveras ocupada mostrando meu país para o namorado gringo. Novidades em breve.


End of the trip. A couple more days in Sao Paulo and then I’ll be back in Sydney. Apologies to those who tried to contact me through phone, email, Orkut or the blog, but I’ve been pretty busy showing my country around to my gringo boyfriend. More news soon.

January 1st, 2009

Planos de viagem/Travel plans

Ilha Grande (zug55/Flickr)

Ilha Grande (zug55/Flickr)

Cheguei no Brasil três dias atrás, logo antes do ano novo. Além das férias da faculdade, consegui quatro semanas de férias do trabalho. Depois de muita penúria, consegui comprar passagem e cá estou.

Pelo milagre da multiplicação monetária, algo que não acontece muito frequentemente, consegui comprar uma passagem para o Lucas também, que chega à terrinha no próximo dia 8.

É a primeira vez dele na América do Sul e, para fazer jus aos milhares de dólares gastos na passagem, quero levá-lo para conhecer algumas das maravilhas brasileiras (o que não inclui São Paulo, devo admitir).

Cataratas do Iguaçu (hedoniste/Flickr)

Cataratas do Iguaçu (hedoniste/Flickr)

Brasileiro é meio viciado em praia, mas o fato é que o Lucas vem de um país que, se bobear, tem praias mais bonitas que as daqui. Então estou tentando planejar um itinerário com um quê a mais. O ideal, claro, do ponto de vista antropológico, seria levá-lo para a Amazônia, o Pantanal e o sertão nordestino, mas, sejamos realistas, isso não vai rolar.

Até agora os destinos mais promissores são Ilha Grande e as Cataratas do Iguaçu. Escolhi Ilha Grande por ser bastante selvagem, com praias acessíveis só por trilha e coisas assim. Acho que na Austrália, e até no Brasil, isso não é muito comum. E as cataratas, bem, pela grandiosidade. Apesar de não ser um destino popular entre brasileiros, é sem dúvida uma daquelas coisas que a gente precisa ver antes de morrer. Eu já vi, mas não me importo de ver de novo!

Aceito sugestões :)


I arrived in Brazil 3 days ago, right before new year’s eve. Besides my school holidays, I got 4 weeks off work as well. After some financial deprivation, I purchased a plane ticket, and here I am.

By the miracle of the monetary multiplication, something that doesn’t happen very often, I managed to buy a ticket to Lucas too, who is arriving here on the 8th.

This is his first time in South America and, to make the thousands of dollars spent on the airfare worthwhile, I want to take him to visit some of the wonderful places in Brazil (which doesn’t include Sao Paulo, I have to admit).

Brazilians are a little bit addicted to beaches, but the fact is that Lucas comes from a country that is likely to have more beautiful beaches than Brazil. So I’m trying to plan a different  itinerary. Ideally, from an anthropological point of view, I should take him to the Amazon, the Pantanal and the sertão nordestino, but, let’s face it, that’s not going to happen.

The most promising destinations so far are Ilha Grande and the Iguazu Falls. I chose Ilha Grande for being very wild, with beaches that are only accessible through bush walks and stuff like that. I think in Australia, and even in Brazil, it’s not very common for a beautiful place to be so underdeveloped. And the falls, well, for its grandiosity. Although it’s not a popular destination among Brazilians, it’s definitely one of those things you’ve got to see before you die. I’ve seen it already, but I wouldn’t mind seeing it again!

I accept suggestions :)

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January 1st, 2009

Wordpress

Para os nerds de plantão: resolvi dar uma chance ao Wordpress. Sou fã do Textpattern, mas, devido a todo o hype do Wordpress, achei que era hora de experimentar. E não é que gostei? É mais simples de customizar, e a interface de administração é mais bonitinha. Acho que temos um novo ganhador.


Nerds out there: I decided to give Wordpress a chance. I’m a Textpattern fan, but, after all the hype around Wordpress, I thought it was time to try. And I kind of like it. It’s easier to customize, and the admin interface is prettier. I think we have a new winner.

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January 1st, 2009

Ano novo, blog novo/New year, new blog

Após umas férias, este blog volta à ativa. Deixarei para trás, desta vez, os textos dos meus antigos blogs, algo como cinco anos de textos. Às vezes precisamos nos desfazer das lembranças para que possamos avançar. É o caso.

Continuarei escrevendo em português e inglês, em respeito às pessoas, falantes de uma ou de outra (ou de ambas) línguas, que eu sei que visitam este site frequentemente.

E, a partir de agora, tentarei escrever segundo as novas regras da língua portuguesa. Ou não.


After some holidays, this blog is finally back. This time, I’ll leave my old blogs’ archives behind, something like 5 years of writing. Sometimes we’ve got to void memories in order to go forward. This is the case now.

I’ll keep writing in Portuguese and English, for those who visit this site frequently and speak either of these languages.

And, from now on, I’ll try to write using the new rules of the Portuguese language. Not.

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